outubro 18, 2012

Augusto Mateus - claro como água

Apanhei a entrevista perfeitamente por acaso. 
E gostei. 
Foi-nos partilhada uma opinião estruturada através de uma exposição calma e acurada.
Ouvi falar de muito do que aqui tenho escrito.
Da necessidade - mesmo - da austeridade.
Do exagero nos impostos.
Da pressa na resolução do problema.
Da necessidade de redistribuir o trabalho.
De serem encontrados financiamentos internos inovadores independentes dos mercados financeiros internacionais.
Da necessidade de não nos fixarmos apenas no corte (rápido) do défice sem deixar de perder esse objectivo.
Da importância de nos focarmos na exportação e na necessária competitividade da produção nacional - também - no mercado interno (para o défice, tanto vale um euro exportado como um euro não importado).
No tratamento do Turismo como qualquer outra indústria exportadora.
E muito mais...

Porque se engana - tanto - Gaspar

No próximo ano, por via dos impostos, cada português se virá privado, em média de 5 a 6% do seu rendimento.

Ora, os modelos económicos, com a aplicação desse "corte", traduzem uma qualquer quebra na economia que provoca desemprego (menos impostos e mais despesa social), redução no consumo (menos impostos e mais problemas para as empresas) e maior desestabilização social (greves, conflitos, manifestações).

Mas, essa quebra é sempre calculada "por baixo", tendo o erro atingido proporções inauditas em 2012, com Gaspar, no alto da sua cátedra, a falhar redondamente.

A explicação é simples e pode ser empiricamente entendida com um exemplo.

Há dois anos, uma família tinha um rendimento de 1000. Retirados os custos fixos, nomeadamente o crédito habitação, sobrava-lhe 400 para "consumo". Nessa altura, o dinheiro estava disponível (nos bancos) e estava barato. A esses 400 poderia juntar outros 100, sem qualquer problema. Essa família colocava 500 na economia, depois de juros e amortizações.

Hoje, depois de PECs e TROIKAs, os 1000 de rendimento inicial reduziram-se a 800 (menos ainda para os funcionários públicos e pensionistas).  Isto se considerarmos cortes de rendimento, mais impostos e inflação e desconsiderando os - entretanto - desempregados. Sem crédito, os 800 são 800 e é só com eles que as famílias contam.

Os custos fixos não reduziram, nem se mantiveram (+50). Mas a eles, somaram-se os custos dos juros e as amortizações dos créditos vigentes (+100). Pelo que aos 600 fixos, poderemos juntar outros 150. Assim, a base reduziu-se para 800 e os custos fixos subiram para 750. Sobram, para consumo, 50.

Ora, 50 é um décimo de 500, para efeitos de "consumo". Um valor que suporta uma das principais receitas do Estado (o IVA) e toda a economia (de que depende o emprego e ainda outras receitas do Estado). É por isto que a economia está anémica e que o buraco nas contas públicas não se reduz.

Mas, continuemos.

Este ano, corta-se 5% (vamos arredondar) no rendimento. E vamos pensar que nada se mexe nas despesas fixas daquele agregado (750).

De 800, o rendimento passa a 760.
O que sobra para consumo? 10...

Então, menos 5% no rendimento corresponderá a quase 80% de corte, dessa família,  no consumo (retirados juros e amortizações que seguem a sua via, de saída de Portugal, para a sua origem - os credores externos, sem passarem pela economia).

E tudo isto se considerarmos que a família tem contas estruturadas, tem emprego, estabilidade e saúde. Pois, se não, só a DECO e o seu aconselhamento é que lhe poderá valer...

Pois, o Ministro Gaspar, de segunda a domingo, das 8 às 22h no seu Gabinete, acaba por não se aperceber disto. Aí, as receitas públicas baixam mais do que os ganhos de corte da receita. E ele é "surpreendido"... Ora, a qualidade e o seu tecnicismo também passa por antecipar surpresas. E aí ele falha redondamente.

Ou então, será má-fé e Gaspar responde apenas aos seus ex e futuros patrões. Não quero acreditar...

outubro 17, 2012

IVA de caixa

«As empresas passam a poder entregar o IVA ao Estado, apenas depois de receberem as quantias correspondentes às facturas emitidas, segundo consta da proposta do Governo para o Orçamento de 2013.

Por outras palavras, a partir do próximo ano, as empresas devem apenas ficar obrigadas a entregar o IVA depois de terem dinheiro em caixa, deixando de ter de pagar o imposto quando ainda nem receberam o valor da facturação como sucede até agora.

Esta medida, que Álvaro Santos Pereira fez introduzir no Orçamento do Estado para 2013, vai contribuir para o alívio financeiro de milhares de empresas em Portugal, que há muito vinham reclamando pela regulamentação desta situação, especialmente a micro e pequenas empresas

No Expresso.

Um oásis no deserto. Finalmente. Um sopro de sanidade.

Conhecemos um caso de uma empresa que fez um trabalho que foi facturado e não pago. Enquanto o devedor contabilizou a factura nas suas contas e deduziu o IVA a entregar ao Estado, o credor, que fez o trabalho (não pago) está a contas com a justiça (como réu) por não ter entregue o IVA que nunca recebeu. Como esse trabalho tinha sido basilar durante 2 anos, para a sua empresa, o resultado final foi a falência e o despedimento de todos os seus trabalhadores...

Segundo sabemos, a partir de Janeiro próximo, o devedor já não poderá deduzir o IVA caso não o tenha entregue aquando do pagamento devido. E ao credor - a quem é devido o IVA pelo trabalho feito - deixará de ser imputável um "crime" por não ter entregue o que não recebeu.

Ainda vamos ver o Álvaro como "resistente" no Governo, à conta de Gaspar. Que tem os pés mais fora que dentro ...

O risco? Nada para ninguém...



Se se abrir - por pouco que seja - a simples ideia e possibilidade de não haver consequências quando alguém não paga um serviço (seja ele qual for), quantos restarão a pagar?

E se não houver receitas por essa razão, poderá, simplesmente, acabar o serviço prestado. Aí, não será um a sofrer consequências. Serão todos.

O procedimento aparentemente seguido é o correto. As crianças/alunos cujos pais foram negligentes são mantidos à parte e é-lhes dado uma sandes e fruta. Nada de deixar crianças à fome...

Nessa noite os pais têm conhecimento do facto e no dia seguinte exercem as suas responsabilidades.

Note-se que o custo das refeições são proporcionais aos escalões sociais. Sendo até gratuita para uns.

A responsável Conceição Bernardes procedeu bem e em conformidade. O meu voto na petição para louvar o seu procedimento. Só assim salvaremos uma sociedade que, para dar e antes de dar, tem de ter...

A rebelião dos pobres

Li, ontem, no jornal i, um texto de um jornalista (Mário Dias Ramos) que descreve uma rebelião dos pobres que estaria a ocorrer em países que enveredaram por políticas liberais e neo-liberais.

O texto refere Josué de Castro, Alvin Toffler e ainda (veja-se) Mário Soares como promontórios dessa revolução dos "pobres contra os ricos" e contra - veja-se - a globalização.

Como é possível estar tão errado...

A realidade é oposta.

Todos esses "pobres" revoltados, que o jornalista Ramos aponta, são muito mais ricos e têm níveis de vida incomensuravelmente superiores (ganhando subsídios e rendimentos mínimos) aos de qualquer trabalhador chinês ou indiano, que trabalha 12 e 14 horas por dia, nas fábricas que abastecem o Mundo.

São esses os verdadeiros pobres que estão a se revoltar, através do trabalho, contra a sua situação anterior. E a sua arma é ... a globalização. E através dela, atraem os capitais disponíveis do Mundo, o trabalho e, com ele todo o potencial de riqueza que ainda resta no nosso planeta.

Pelo que a verdadeira rebelião global é esta e não a que é vista por Mário Dias Ramos ou Mário Soares. A realidade nos países desenvolvidos, assim mal interpretada, não é mais do que o efeito dessa redistribuição de riqueza que agora se faz globalmente. Os indignados de Ramos e Soares não são mais que uma parte visível da reacção da sociedade dos ricos (sim, ricos face à realidade global) perante a redução da sua riqueza, em processo de redistribuição...

E, se as políticas que se vão seguindo nos países intervencionados são liberais ou neo-liberais, então, vou ali e já volto... porque, aumentos de impostos e taxação dos capitais... nenhum governo comunista faria mais e melhor.

outubro 14, 2012

Medida 3. Divisão (distribuição) do trabalho disponível

No post publicado a 4 de Julho “O foco errado: na dívida soberana” propusemos uma série de actuações necessárias para sairmos da camisa-de-força a que estamos sujeitos.

Elencamos 9 áreas de actuação.


Vamos desenvolver, neste post, a terceira:

Divisão  (distribuição)  do trabalho disponível.

Nos últimos 15 anos fomos perdendo trabalho. Natural e gradualmente, com a deslocalização do sector produtivo, dos países desenvolvidos para os países emergentes (leia-se Ásia, releia-se China).


E este processo acontece por nossa livre opção. Pois foi (é) com prazer que acedemos a produtos sofisticados - que não produzimos - a baixos preços: LCDs de grandes dimensões, Iphones, PCs portáteis, etc. Foi por nossa escolha que deixamos de produzir na agricultura e na pesca, passando a comprar a quem produzia mais barato. Que vimos os produtos asiáticos a invadirem as prateleiras do nosso comércio. Encerrando as nossas fábricas.

Com o trabalho, foi-se a riqueza. E, sem ela, só mantivemos o nosso nível de vida (os direitos sociais ganhos e - por isso, na visão romântica socialista - inamovíveis) à custa de empréstimos externos. Como seria de esperar, isso não poderia continuar por muito mais tempo.

Com menos trabalho, aumentou o desemprego. Com ele, menos pessoas a pagar impostos e cada vez mais a substituir à conta de subsídios.

1)Precisamos de mais trabalho (e não apenas de empregos criados artificialmente através de programas de incentivos pontuais, sem trabalho associado).

Para termos mais trabalho (principalmente no sector exportador, onde incluímos o turismo) urge uma alteração substancial no nosso modelo fiscal. Não conseguiremos concorrer com produtos vindos da Ásia, em cuja composição de preço, não entram custos sociais e fiscais. E que contam, na sua estrutura de preços, com mão-de-obra ao preço da chuva. 

Como não podemos atuar politicamente nesses países (até porque são cada vez mais preponderantes), temos que agir por nós próprios. 

Assim, necessitamos de eliminar aqueles custos da nossa produção. Dos bens e serviços que se destinam a concorrer no mercado internacional. Capacitando-os para concorrer, não só no mercado externo, mas também no mercado interno. Pois, para o défice comercial, um euro exportado vale tanto como um euro não importado

Para retirar aqueles custos dos nossos produtos, o IVA passaria a ser o imposto único (ou quase único) incluindo até as dotações necessárias com vista ao financiamento da Segurança Social. 

Uma taxa de quarenta por cento? Que seja…

Nesta opção, teremos um ganho extra: os produtos externos, importados, contribuiriam  também (bem mais do que hoje) para o financiamento do Estado e da Segurança Social...

2)Precisamos de dividir melhor o (menos) trabalho disponível.

Ou, precisamos de alterar (flexibilizar) a unidade de trabalho (emprego) atual.

Isto para mobilizar mais gente para a reconstrução (refundação) do País; para ocupar os jovens; para renovar a força de trabalho; para fugir à desestruturação social; urge dividir melhor o trabalho disponível. Sem prejuízo de, depois, em paz social, procurarmos mais trabalho, produção e riqueza.

Mas a realidade presente é que temos - mesmo - menos trabalho à nossa disposição. Pelas razões acima indicadas e porque, naturalmente, acedemos a cada vez mais instrumentos (máquinas, computadores) facilitadores, que reduzem a necessidade de trabalho humano, para atingir a mesma produção.

A intuição apontaria para que a sociedade evoluísse para a manutenção do rendimento e ... menos horas de trabalho para cada um (assegurando uma melhor qualidade de vida).

Mas não. A jornada de trabalho foi-se mantendo (ou até crescendo) com aumentos regulares de rendimentos para os trabalhadores (empregados). O problema colocou-se quando se esgotou a capacidade de crescimento económico. E pior, quando o sentido passou a ser descendente...

Mais uma vez, e isto todos entendem, havendo menos trabalho, haverá menos emprego (mais desemprego) se a jornada diária de trabalho não cair.

A política actual seguida por muitos governos europeus, estranhamente, segue pelo caminho inverso: mais horas, menos feriados, reforma mais tardia. Tudo ao contrário.

O caminho correto passaria pela introdução da possibilidade de todos os empregadores, sem excepção, incluindo o Estado, poderem ajustar a jornada de trabalho para menos (e nunca para mais) horas, com uma redução remuneratória proporcional…

Esta redução do tempo (e da remuneração) de trabalho – que pode ser de decisão unilateral do empregador,  para todos os que ganham acima dos 120% do salário mínimo, até as 6 horas diárias – é provisória e tem dois objectivos:

a)Ajustar os custos fixos da empresa à queda do “negócio” (face ao arrefecimento económico) evitando a insustentabilidade, a falência e o desemprego.

b)Permitir a renovação (em 25%) da força de trabalho das empresas em laboração máxima (uma opção do empresário), aumentando o número de empregados e reduzindo o trabalho (e rendimento) de cada um. Três turnos de 8 horas passam a 4 turnos de 6 horas. Mais 33% de emprego, sem custos acrescidos.

O empresário pode manter a jornada para os bons trabalhadores e ajustar apenas as jornadas dos restantes (valorizando o mérito). Pode renovar a sua força de trabalho juntando jovens em situação de primeiro emprego.

Desta forma, a taxa de desemprego cairia de 18% para 5% e teríamos muitos mais a pagar impostos e menos a subsistir através da Segurança Social.

Sem falar da estabilização social que se conseguiria. Nomeadamente, sossegando os jovens, os mais injustiçados neste processo. E reduzindo a sangria da emigração que, para o País, não é mais do que o futuro a sair porta fora...

Quem vai ter filhos, em Portugal, nas próximas dezenas de anos?
Que contribuintes restarão no País?
Quem suportará os custos sociais, neste sistema (socialista) solidário se (quase) todos saem do País por não terem emprego?

Este procedimento é ajustável e aplicável ao Estado. Que assim, poderia reduzir as suas “gorduras” sem criar desemprego. É evidente que, colocando pessoas no desemprego ou na disponibilidade há sempre resistencias e o ajuste tarda. Se todos passarem a 6 horas de trabalho diários, talvez o ajuste seja mais fácil...

Nota final: se isto não for entendido, então, só poderemos concluir que pode haver uma “agenda escondida”. [ler aqui : "a teoria da conspiração"]

Também estou (sou um) indignado

Indignado pela curteza de memória dos que criaram esta situação e que, agora, sem soluções para a resolução da mesma desancam em que está a tentar resolvê-la.

Indignado pela demagogia da esquerda comunista e bloquista que, depois dos gastos e dos empréstimos para sustentar a (boa) vida que tivemos nos últimos anos (mantendo os  “direitos” sem olhar aos deveres) agora não os querem pagar.

Indignado para os que protestam e são do contra, mas alternativas… nem vê-las.

Mas também protesto contra as opções erradas e pelas vistas curtas.

Estamos perante problemas novos, precisamos de medidas novas.

Os mercados financeiros são instrumentos globais importantes e necessários para garantir que a globalização cumpre os seus (bons) objectivos  Mas, pelo caminho, criam-se situações que precisam de ser geridas de forma inovadora. No processo global, a maioria ganha, mas alguns perdem e, está visto, não há instrumentos capazes na “ferramentaria global” para acudir a estes no seu processo de ajustamento. São danos colaterais…
Seria como fazer costura com os instrumentos de um carpinteiro. Não é possível, mesmo que esses sejam os melhores instrumentos (para carpinteiros) que existam …

Estou indignado porque são falsos e mentirosos, aqueles decisores que mantêm viva a expetativa de que voltaremos aos (bons) dias que tivemos nos últimos anos. Não vamos voltar.

Mas também estou indignado por não nos apresentarem um plano credível e entendível pelo cidadão comum que assegure que - um dia – conseguiremos estabilizar a situação e poderemos começar a olhar para o futuro. Precisamos de uma luz ao fundo do túnel. Mesmo que o túnel seja a descer… precisamos de esperança para a saída do mesmo e para que o percurso, a partir daí, possa estabilizar.

Estou indignado face aos que contestam o ajuste que decorre e defendem (só pode ser isso) mais défice e mais dívida. Coisa impossível pois ninguém já nos empresta para retomarmos essa nossa vida boa, que tivemos, a viver acima do que produzíamos.

Estou indignado pelas políticas de gestão do trabalho que temos. Que ao invés de ser distribuído por mais gente é serciado a muitos. Através de mais horas de trabalho diário, menos feriados e férias. E reformas mais tarde. O que não tem sentido nenhum. Infelizmente, os desempregados (e os jovens, arredados do acesso ao mercado de trabalho) tratarão de fazer sentir essa insatisfação nas ruas. Da pior forma. Estamos a seguir políticas inversas às que deveriam ser seguidas.

Estou indignado com os indignados que, protestam, mas não têm qualquer ideia nem apresentam qualquer alternativa face à situação que vivemos.

Estou indignado face aos indignados que seguem os demagogos que, também sem soluções, só se encavalitam na insatisfação geral.

Estou indignado. Mas estou indignado, digo porquê e apresento caminhos diferentes.

Acesso ao mercado “não é opção única”...

"O ministro das Finanças português garantiu, em Tóquio, que o acesso ao mercado “não é opção única” para Portugal e que o Governo está a explorar instrumentos que permitam melhorar o acesso ao financiamento não oficial." Público de 13/10

Será que vão a começar a pensar? [ver aqui]

outubro 05, 2012

Alternativas do 5 de Outubro

Há alternativas. É o que todos nos dizem. Mas quando se passa para a concretização, desaparecem todos...

Para além da alternativa/embuste - já conhecida - do crescimento (qual, de quê e como?) versus austeridade, hoje tivemos mais duas, baseadas - veja-se - na renegociação da dívida.

Que se lixe a troika e o seu memorando, negociemos a dívida. 

Será que a malta que defende isto existe, neste mundo? 
Será que não entende que o memorando da troika resultou - foi a sua condição base - de uma renegociação da dívida - concretizada pelo PS e por José Sócrates - na sequência da governação socialista e de esquerda que a isto conduziu? 

E que é esse memorando e o seu cumprimento que nos permite ir vivendo - a partir dos respectivos empréstimos - e pagando as tranches da dívida anterior - que não conseguiríamos nunca pagar - criando uma "nova dívida" (renegociada) com taxas e prazos mais cómodos?

Ora, mandamos embora a troika e o seu memorando e, em alternativa - veja-se a contradição - renegoceie-se a dívida. 

Com quem? Com a troika que, mais ou menos claramente, não é mais do que os tipos que representam os nossos credores.

Renegoceie-se a dívida. Com quê, em troca? Com oito séculos de História... ora bem.

outubro 03, 2012

Nacionalização do BPN custa 3,4 mil milhões aos contribuintes

Notícia de hoje, problema de ontem.
Nada de inesperado.

É um assunto de polícia e justiça. Mas muito mais do que isso, é caso político e de absoluta necessidade de informação pública.

Afinal, como refere a notícia do SOL, serão os contribuintes a pagar por este roubo. Muito dinheiro, por muito tempo. Muitos subsídios dos funcionários públicos e pensionistas, muitos ordenados (através de novos impostos prestes a chegar) de todos os trabalhadores.

Se é necessário (e teremos de acomodar) um ajustamento (não forçosamente o que está em curso) em baixa nos nossos níveis de vida, é inaceitável que não possamos aceder à informação básica e essencial no que diz respeito a esta matéria com impactos tão substanciais.

Quero conhecer (porque eu sou - também - pagador), a lista de imparidades e créditos perdidos, acima de 1 milhão de euros (dando de barato os roubos menores) que esse banco registou desde 1995 nas suas contas (que, acho, estarão já consolidadas, em 2012...).

E, neste esclarecimento, não quero apenas nomes de empresas obscuras de off-shores. Quero, isso sim, os nomes de quem emprestou e decidiu o empréstimo, de quem tratou do negócio (testas de ferro, sociedades financeiras e de advogados) e quem recebeu o empréstimo e depois o "colou ao tecto". E, mais uma vez, para eliminar a vontade de encapotar a informação, atrás das tais empresas obscuras em off-shores, a cada uma, deverá corresponder sempre um nome de quem tratou deste assunto, por ela...

Eu tenho este direito porque estou a pagar. E se o Estado (de direito) que temos não for capaz de me informar nestes termos (não é acusação, é informação) então muito mal estamos. Partidos, Estado, Justiça...

outubro 01, 2012

Novos problemas - soluções antigas?

Problema novos, soluções inovadoras

Os tempos são novos. 
Os problemas também.
As soluções e os instrumentos para os resolver não podem ser os mesmos de sempre.

Desde os anos noventa que a globalização impôs-se. Sobrepôs-se a ideia que todas as necessidades e todos os problemas seriam acomodados e resolvidos de forma global. A produção seria alocada às zonas onde mais e melhor se produzisse.

Tudo parecia bom. Os habitantes dos países desenvolvidos gostaram de passar a aceder a bens e serviços a preços inimagináveis quando as multinacionais se mudaram para os países (hoje emergentes) onde o custo da mão-de-obra era irrisório.

Com o tempo, desmantelou-se de um lado e criou-se noutro. Mas tudo mesmo. A produção agrícola, a pesca, a indústria, os serviços.

Paulatinamente, tudo se dirigiu para os países emergentes.

Com o trabalho (foi o trabalho que se deslocalizou) seguiu a riqueza, o investimento e o capital. Nos países desenvolvidos ficou o consumo. Mas, cada vez mais, a partir de certa altura, financiado apenas pelo crédito

(é por esta razão simples que as medidas keynesianas não funcionam, pois ao potenciar o consumo, se acentuam os desequilíbrios com o exterior, criando mais dívida - do nosso lado - e mais trabalho ... na China)

As (grandes) empresas subiram de nível. Mais que multinacionais, passaram a ser elementos na nuvem global (é conceito bem entendido no que respeita às redes informáticas e internet). Se as multinacionais estão em muitas nações, as empresas na nuvem estão e não estão em todo e qualquer lado. Materializam-se e desmaterializam-se ao ritmo da evolução dos seus produtos e da aptidão e capacidade de ajuste das suas fabricas. E movem-se, empurradas pelo capital que ali se concentra (onde há crescimento e rentabilidade mesmo), pela proximidade das matérias-primas e pelo acesso a mão-de-obra barata.

Sem produção à altura do consumo (cada vez mais externo), os países desenvolvidos começaram a viver de crédito, reduzidas as suas receitas fiscais e sociais. Sem trabalho (desemprego) e com a pirâmide etária invertida, os custos sociais subiram.

Os défices públicos, por esta razão e por outras (crises bancárias e bolhas especulativas) passaram a pressionar as economias locais por via dos (mais) impostos mas, mesmo assim, não evitaram a repetição dos défices crescentes. E com eles, as dívidas ascenderam a valores inauditos. 

Políticas públicas expansionistas e intervenções de salvação dos sistemas bancários agravaram o problema e multiplicaram a dívida pública.

Antes disso, o crédito (global) fácil tinha criado a mesma ilusão nas empresas e particulares. Onde o consumo e o investimento a crédito também vingou: mais dívida. Pior: dívida ... externa.

Entretanto, a confiança desapareceu e, com ela, os capitais. Esses países passaram a ser “desertos de liquidez”. E perderam a capacidade de financiar os seus défices e, pior ainda, deixaram de conseguir refinanciar as suas dívidas, cada vez maiores.

E assim chegamos aos dias de hoje.

(e não se pense que há países desenvolvidos incólumes pois, desde que haja dívida pública, custos elevados de mão-de-obra - ou alto nível de vida face à média mundial - e não haja fartura de meios energéticos - petróleo -, estarão todos esses países a médio-longo prazo, comprometidos)

Nestes dias, (re)começam a vingar os apelos da esquerda. Na rua. O que, sendo incongruente (afinal foram as suas políticas expansionistas e de resistência ao ajuste no tempo devido que provocaram a actual redução dos níveis de vida das populações) que acentuaram o problema até à rotura e à bancarrota. O que não é de estranhar, face à dimensão dos esforços pedidos às populações para a correcção (e ajustes) em tempo recorde, definido pelos credores - a troika - ávidos pelo seu dinheiro que, sabem eles, estaria muito melhor nos países emergentes onde tudo se move, nos dias de hoje.

A verdade é que esta esquerda pode ganhar peso (e capacidade de decisão) à custa da insatisfação popular sendo verdade (mas talvez imperceptível aos eleitores) que as suas políticas são a anti-solução para os problemas.

Se há novos problemas, precisamos de novas soluções...

Os instrumentos globais não se ajustam. Os mercados financeiros não são recurso para os problemas de hoje. Esqueçamos o “regresso aos mercados financeiros”.

(os mercados financeiros de hoje, aos quais os países desenvolvidos recorrem são uma mentira. Não são mais que os bancos nacionais travestidos de "mercados" a aplicar a "moeda" criada e emprestada pelos Bancos Centrais. A verdade é que depois da Grécia, nenhum investidor livre investirá seja o que for, em dívida pública de países desenvolvidos)

A globalização tanto traz (equipamentos e produtos de muito baixo preço) como leva (trabalho, riqueza, indústria, investimento, capital, liquidez). E nada volta para trás… 

(a natureza da globalização e do mercado global não funciona assim. Tal como os "vasos comunicantes" não fazem fluir a energia de sistemas frios para os sistemas quentes. É sempre ao contrário...)

A globalização é coisa boa. Força a reequilíbrios globais. Leva a riqueza a países onde ela não existia e promove os níveis de vida das suas populações levando-lhe trabalho aonde ele não estava. Mas, a outra face da moeda são os tempos difíceis nos países desenvolvidos, de onde se esvai (devagar no início mas abruptamente depois) toda a riqueza.

As ferramentas da globalização não salvarão os países desenvolvidos. Pelo contrário, apressarão e tornarão violenta a sua queda, caso não se introduzam instrumentos equilibradores, de âmbito e alcance local.

E aqui está o ponto. Aqui estará a solução. Mas tudo é novo.

Passaremos (a ideia não é nova) do global para o glocal. É a importância do local que terá de ser efectivada. Chegou a altura. Ganhando espaço e área de actuação ao global. E impondo-se, mesmo que por decreto.

Se assim não for, tudo se esvairá, naturalmente, dos países desenvolvidos para os países emergentes. É o efeito simples dos vasos comunicantes. E da tendência para o reequilíbrio. Com a energia a passar do quente para o frio, aquecendo o que é mais frio e arrefecendo a origem. Mas, não havendo um “travão” ao processo - natural - de equilíbrio, o ajuste será brutal e a rotura inevitável. E os exemplos estão aí...

Inove-se. E retarde-se.
Não se pense que não podemos inovar. Ou que o estado calamitoso a que chegaram alguns países impede que aí se façam experiências. É que, infelizmente, os “remédios” conhecidos já não actuam… ou há novas soluções ou o mundo será, bem mais depressa que poderíamos pressupor, chinês.

E qual a inovação necessária?

Resumindo:

1)Reconhecimento da situação gravíssima que os países desenvolvidos vivem.

2)Eliminação total dos défices públicos (programa para 5 anos).

3)Definição de tectos (% PIB) para os impostos a cobrar.

4)Eliminação de todos os impostos sobre o capital (para que ele possa voltar a fluir).

5)Eliminação total de todos os impostos sobre rendimentos.

6)Erradicação do financiamento da Segurança Social dos custos de produção.

7)Resta apenas o imposto sobre o consumo, a partir do qual toda a acção pública se financiará.

8)As despesas sociais passarão a ser dinâmicas (sim, também as pensões e subsídios vários), ajustando-se às receitas recolhidas pelo que a solidariedade pública será proporcional à riqueza produzida pelo País e nunca poderá ser garantida por empréstimos.

9)Redistribuição do trabalho (ainda) restante, flexibilizando a jornada de trabalho para até menos 20% com ajuste remuneratório proporcional garantindo menos subsidiados, mais contribuintes, maior paz social e possibilidade de ajuste (do pessoal à procura - menor) de empresas de serviços locais que assim evitam a falência.

10)Saneamento dos bancos, com medidas de salvaguarda do crédito e mercado imobiliário e procurar atractividade e segurança (nos bancos nacionais) para a poupança interna (hoje, tudo se esvai para o exterior, face aos canais comunicantes globais dos mercados financeiros).

11)Criação de novas fontes de financiamento público para os 5 anos de ajuste, sem contar com os mercados financeiros globais, incluindo os bancos que actuam a esse nível (global). É aqui que entram os novos Títulos de Dívida Fiscal. A conhecer aqui a proposta.

setembro 29, 2012

Agora, o capital vai pagar

Taxar o capital. É a solução da CGTP.
O nosso problema é capital. 
Liquidez, dinheiro para a economia...

Em vez de o atrairmos, porque precisamos dele, vamos taxa-lo. Mais do que antes?

Aí, será o fim. De pouco dinheiro passaremos a dinheiro nenhum.
Propostas de malta que já não vive neste mundo...

A demagogia impera e pode vencer nestes momentos difíceis. 
Vamos amarrar um peso aos pés de um mau nadador em mar alto. Adeus.

As coisas estão difíceis. Tanto gostamos dos novos grandes LCDs nas salas, dos portáteis, smartphones, máquinas de filmar e fotográficas a custo da uva mijona. Não percindimos dos nossos carros e das viagens de férias ao Brasil. Consumimos externo a baixos custos. A crédito.

Tanto consumimos externo que o produto interno mirrou. O trabalho deslocalizou-se. Com ele, lá foi a riqueza. Agora, menos ricos e com uma grande dívida, não temos saída.

O capital vai pagar?

Vai é pisgar-se.

setembro 28, 2012

setembro 26, 2012

O José Vitor existe mesmo?

Um post magnifico que ilustra - ridicularizando - o argumentário esquerdista nos dias de hoje face à situação socio-económica. O José Vitor existe mesmo? De jvd no Blasfémias.

Escalpiza um artigo de José Vitor Malheiros (parece que existe mesmo) no Público de ontem. Artigo que se justifica pela ignorância e iliteracia económica de quem escreve (publicamente num meio de referência), mas que também ilustra uma situação - intencional - de má-fé no aproveitamento da insatisfação evidente (e justificada) das populações dos países desenvolvidos (hoje muitos, amanhã muitos mais), habituados (mal), nos últimos anos, a ver mantido o seu nível de vida à conta de cada vez mais défice (e empréstimos consequentes) à medida que o trabalho (que lhes garantia riqueza) se deslocaliza inapeladamente para a Ásia. 

O ajuste do seu nível de vida (em baixa) agora forçado - pois acabou a confiança de quem nos dava aquele crédito que possibilitada a vida melhor acima do razoável - criou a situação actual. A verdade é que, ao contrário do que refere a esquerda, não estamos a empobrecer. Estamos simplesmente a cair na realidade e, por acréscimo, a pagar o atraso (socialista) de anos na decisão de ajustar, o que empenhou recursos, repetiu défices e criou a actual dívida, que nos pesa e castiga.

E, pior que tudo, neste tipo de intervenção e comentário público e publicado colocam-se questões absurdas mas, alternativas válidas (e não demagógicas), nada. Zero.

Muita cigarra "cantante", pouca formiga trabalhadora.
E ainda, muito menos, alternativas e/ou ideias novas. 

Apenas aproveitamentos demagógicos das dificuldades evidentes do processo de ajustamento.

Mas, uma nota de rodapé: isto não branqueia a realidade evidente de termos que assumir PPPs inúteis e casos de polícia como o do BPN. Que carregaram a dívida pública até níveis insustentáveis (estamos a verificar) sem efeitos positivos no nosso nível de vida (nosso, não dos infractores).

setembro 24, 2012

Falta o ajustamento do Estado, Sr. Ministro Louça Gaspar

Com as contas externas equilibradas (apesar de muita da despesa ser conjuntural) resta ao Estado ajustar as suas contas. O que se está a tornar o problema mais complicado de resolver.

Se é verdade que as contas do Estado estão desequilibradas por muitos anos de gestão danosa por parte das “cigarras” que nos (des)governaram até 2011, também é verdade que as “formigas” que se seguiram não fizeram bem o seu papel.

A estimativa de receitas públicas falhou completamente. As "formigas" foram totalmente inaptas na avaliação dos impactos na Economia (e nas receitas fiscais, desemprego e despesas sociais) das suas medidas de austeridade (corte nos rendimentos e aumentos de impostos). E por isso, a atitude do Sr. Ministro deveria ser mais humilde na decisão de exigir mais esforços a todos os outros. E devia pedir desculpa pelo que falhou, da sua parte. É porque a justificação da queda das receitas nas contas do Estado ajustam-se, de igual forma, a todas as outras estruturas e organizações públicas e particulares. O problema é a ECONOMIA.

E não conseguiram explicar que os cortes na despesa pública são, também e quase exclusivamente, cortes dos rendimentos dos funcionários, na educação, saúde, segurança social, segurança, justiça, forças armadas, etc.

Gaspar é exigente e imperturbável nas decisões de austeridade. Pois só assim, diz ele, a troika aceita a continuação do processo de financiamento que precisamos como pão para a boca, depois dos anos de vacas gordas geridas pelas “cigarras” socialistas.

Gaspar exige a todos os outros o aumento da austeridade. Para compensar o seu … falhanço na determinação da receita (logo do défice). E a troika até aceitou, reduziu as metas e adiou o prazo. A troco da exigência e rigor de Gaspar perante … os outros. Até porque o falhanço (claro) de Gaspar será – também - um falhanço (nítido) da troika.

Sendo o Estado (e as suas contas) o PROBLEMA mais grave que enferma o nosso País, é preciso focar as medidas a tomar na sua solução.

Precisamos de um Estado que se ajuste, mas que, ao mesmo tempo não leve a economia consigo, pelo esgoto abaixo.

Precisamos de um Estado que reduza a sua ação (de serviço público e social) ao nível dos recursos que a economia produz e que aloca, para esse efeito. Mas que, ao mesmo tempo, não crie uma situação social insustentável, logo potencializada pelo canto das cigarras (a comunicação social, quase toda de esquerda) socialistas.

Precisamos de um Estado técnico, mas com alguma política pois, quando se pretende envolver todos (num processo destes, de ajuste em baixa) também se consegue que todos sejam “contra”…

Basta ver os assanhados repórteres da RTP (o Governo tocou numa das vacas sagradas) e dos seus repórteres no acompanhamento de todas e quaisquer manifestações contra o Governo em qualquer ida de um ministro, aqui ou ali. Qualquer indivíduo mais ou menos isolado, mais ou menos arregimentado, com um cartaz ou uma vuvuzela, tem logo voz no telejornal… E quando questionado, “porque está aqui?”, a uma resposta vaga (porque estou insatisfeito) se segue logo um comentário do jornalista que todos (os presentes, o povo, os portugueses), estão a pedir uma mudança. E logo se extraem comparações de um qualquer 15, 19 ou 21 de Setembro com o 25 de Abril face ao povo que está nas ruas a pedir uma revolta…

O processo a seguir:

1)Congelar a dívida actual (será o papel da troika, assegurando aos nossos credores os valores que se vão vencendo) transformando-a em dívida a médio/longo prazo com juros não extorsionistas (e agiotas).

2)Definição de um plano de erradicação do défice público (5 anos).

3)Plano gradual de transição do actual sistema de financiamento público via recursos externos para um sistema baseado em financiamento interno. Através de um novo instrumento, a manter ao longo do período de vigência do plano acima indicado.

4)Criação desse instrumento financeiro que trará os benefícios (internos) da criação de moeda, sem os inconvenientes (externos) apontados pelos países fortes da moeda única.

5)Este instrumento financiará o Estado via recursos internos, sendo o processo algo “forçado”, mas facilmente entendido se bem explicado e se implementado em paralelo com medidas de alívio da austeridade.

6)Este financiamento, através deste  instrumento  permitirá ao Estado ter mais tempo para o seu ajuste, o que trará benefícios na redução da austeridade, na queda da economia, na perda de empregos, de receitas fiscais e sociais.

7)As medidas de redução da austeridade poderão passar pela devolução de um subsídio aos funcionários públicos e reformados (através de fundos fiscais); pela reposição da TSU nos termos anteriores; na devolução do seu valor (também em fundos fiscais) às empresas nacionais produtoras de bens transacionaveis em concorrência (interna e externa); “devolução” do IVA cobrado (em fundos fiscais) ao sector do turismo (passando a tratar este sector como de exportação – que é); idem para o excedente do IVA cobrado na restauração (valores entre a taxa média e a máxima). Os custos financeiros destas medidas são suportados pelo novo financiamento (em fundos fiscais) constituindo as medidas de introdução de nova moeda que poderão potenciar o crescimento enquanto se faz o ajuste.

8)Tomar uma medida no âmbito da redistribuição do trabalho, permitindo que os empresários possam ajustar unilateralmente - em baixa - os horários dos seus funcionários até 7%, com a correspondente redução remuneratória. Esta medida trará a equidade face aos funcionários públicos e pensionistas.

Atenção à inutilidade na taxação dos recursos monetários (depósitos e poupanças) que, depois da primeira investida e, perspectivando as seguintes, logo fugirão dos bancos nacionais (que ficarão ainda mais descapitalizados) para os bancos alemães e ... para os colchões.

Atenção à necessidade de dar idêntico tratamento no referente à redução dos custos do trabalho às empresas que exportam e às empresas que produzem bens transacionáveis consumidos em concorrência com a produção externa, no mercado nacional. Até porque, para a balança comercial, um euro exportado vale o mesmo que menos um euro importado. Sendo que, para a economia nacional, um euro não importado que é substituído por um euro de produção nacional acrescenta trabalho, emprego, receitas fiscais e sociais.

E atenção ao PP/CDS que resista ao seu fundo populista e algo promiscuo, no desejo de contabilizar apoios, dançando entre o PSD e o PS…