outubro 23, 2015

As virgens ofendidas

Ontem, a Frente Comum de esquerda falava de veto presidencial. Não ouvi nada disso da boca de Cavaco.
Entendi que a sua única opção, ontem, só podia ser Passos Coelho. Porque ganhou as eleições e porque Costa não lhe apresentou (não apresentou a ninguém) qualquer sustentação forte e evidente para um governo da Frente Comum de Esquerda que (blefam eles) poderia ser, ontem, opção de Cavaco.

Para além da falta de concretização do acordo de governo à esquerda, Cavaco elencou outras razoes (do seu ponto de vista) que apontam para a fragilidade de um governo “desse lado” mais a mais sem acordos concretos.

Esta reação é típica e clara. Costa e o PS entende (e quer) o adiamento da sua indigitação para continuar a pressionar o Bloco e a CDU no sentido de uma maior aproximação (á realidade). Coisa que será impossível pois o BE está “por cima” e porque à CDU apenas interessa apear a direita do governo.

Claro que, sendo assim, a decisão de Cavaco, ontem, apenas poderia ser a tomada.

Agora, o PS terá que assumir. Ou está com Costa rumo ao descalabro (levando com eles o País) ou descarta-se já.

O BE quer o poder e vai lá chegar. Levará exigências que o PS não terá força para recusar. E serão essas exigências que arruinarão o País levando-o à bancarrota de novo. Das cinzas restará o Centro-Direita para recuperar, de novo, o País, à grega, com austeridade reforçada (serão 4 anos perdidos, um de desbunda e três de mais sacrifícios) e a CDU que retirará o tapete (e os dividendos) logo que o PS e o BE estejam bem “secos” (na ressaca da bancarrota) com vista a novas eleições dentro de um ano.

PS: as avoilas deste mundo já estão a aligeirar exigências e a aceitar a vigência e arrastamento de situações que antes eram inconstitucionais, ilegais e de revogação imediata. Coisas que só acontecem quando a esquerda iluminada tem perspetivas de mandar…

outubro 22, 2015

Tudo claro

Os dados estão lançados e, para Costa, já não há recuo possível.
Mas para o PS ainda há uma saída.

Costa fugiu em frente e, consigo, arrasta o PS e os eleitores que nele votaram mas que não escolheram o que Costa quer fazer.

A estratégia eleitoral de Costa foi de largar a direita, contando que a insatisfação nessa área lhe garantiria – sem mais esforço - os votos necessários, concentrando os seus esforços e argumentos à esquerda. Apontou para aí as suas políticas e o seu discurso. E perdeu…
Mas é esse discurso que Costa manteve depois da sua derrota. O discurso orientado para os votantes que… lhe fugiram.
Pelo que Costa está a usurpar os votos do PS (os 32% que ficaram lá), agindo nos termos dos votos que perdeu (ou que não conquistou) à esquerda.

Uma trapalhada…

Como resultado disto, serão as políticas demagogas que conquistaram 20% dos votantes (mais à esquerda) que governarão o País.
Nesta fuga para a frente, os prognósticos não precisam ficar para depois (como diria o outro. São simples de concluir: Costa aposta tudo e vai perder. O PS ou segue com ele ou perderá o mesmo. Simplesmente, enquanto Costa é substituível, a perda do PS poderá ser definitiva. Porque na frente de esquerda que se está a formar, a força está com os dois mais pequenos.
Mas, com todos estes, perderá o País. Mais um ano de desbunda e três de recuperação. Quatro anos perdidos para voltarmos à situação atual. São estes os prognósticos.

Cavaco deve nomear Passos.
Dessa forma, cumpre os preceitos usuais e obriga o PS (e a esquerda) a quebrar, pela negativa, a coligação vencedora das eleições.
O Governo de esquerda que se segue só poderá subsistir com o PS ajoelhado perante os dois parceiros mais á esquerda. Porque a aposta nesta solução é do PS (ou de Costa). Porque para os outros, são só mais-valias se conseguirem impor as suas exigências. Porque sabem que não podem ceder para políticas de austeridade o que provocaria uma razia na sua base de votantes que votaram claramente (os referidos 20%) nas opções demagógicas tipo Siryza/Comité Central.

Pelo contrário, o PS tem tudo a perder se segue com isto. As suas cedências (não há saída) trarão mais défice, menos investimento, mais desemprego, fim dos financiamentos externos necessários, mais dívida. E isto tudo muito rapidamente.
Para Costa, entende-se este caminho. Era isto ou … isto.
Para o PS, terá a palavra o PS. E quem possa defender as políticas que garantiram os 32% obtidos.

O PS quer a nomeação de Passos. Isso dá-lhe tempo para tentar dobrar (o que for possível) o BE e CDU. O argumento é simples e é o “do mal, o menos”. Ou o PS ou a direita. Só que, para esses partidos, qualquer austeridade será má e será impossível de gerir (e de votar a favor dela). Daí que o PS vai esconder o acordo que será sempre um acordo mau para o PS pois conduzirá (mais uma vez) o País à bancarrota.

A saída existe e está nas mãos do PS histórico, de gestão prudente. Mas essa solução impõe a saída de Costa, a cedência total (talvez por dois anos) do País à coligação e o reforço (mais um pouco) da sua esquerda. Mas, mesmo assim, será uma perda controlada face ao fim do partido (com consequências graves para o País) caso se valide e se siga em frente com a loucura de Costa.

outubro 19, 2015

Tudo confuso

Costa tomou as rédeas do processo de criação de um novo Governo apesar da sua clara derrota eleitoral.

Na ansia de chegar ao poder poderá estar a dar um passo fatal para o Partido Socialista.
A verdade é que 70% dos votantes ficaram no lado das políticas corretas, dos cuidados e prudência orçamental.

O que Costa não entendeu (ou quer ignorar) é que o resultado da sua estratégia de esquerda saiu errada pois os eleitores mais à esquerda potênciais votantes PS (quando há voto útil) acabaram mesmo por não votar socialista. Reforçando o BE e CDU.
Quem restou no PS foram os seus eleitores de base, fieis, da esquerda moderada.

Ora, é contra todos estes eleitores (os que lá ficaram) que Costa está a agir. De acordo, é verdade, com os conteúdos (falhados) da sua campanha, que se dirigia especificamente a quem acabou por não votar nele.

A fuga para a frente poderá ser dramática para o futuro do PS como partido razoável, sempre disponível para uma governação alternativa e prudencial que é exigível nos dias de hoje.

Ninguém duvida que Costa derrubará o Governo Passos que será nomeado por Cavaco (mas aí terá que assumir as razões para essa decisão) tomando o lugar de primeiro ministro num governo suportado por uma maioria parlamentar fragilíssima. 

Nínguém acredita que o BE e a CDU venha a viabilizar um governo que não cumpra com algumas das suas linhas políticas essenciais. Ora, essas políticas serão razão para uma quase imediata quebra de financiamento exterior e uma degradação rapida do défice orçamental.

Num ano estaremos à beira da bancarrota e em ano e meio estamos num novo plano de recuperação com uma qualquer troica cá dentro.
É que não há forma de seguir as políticas defendidas pelos partidos da extrema esquerda sem dinheiro emprestado. O problema é que ninguém o emprestará.

Pelo que já começa a ser repetitivo: a fábula da Cigarra e da Formiga não tem exemplo mais fiel do que aquele que se passa em Portugal...

outubro 05, 2015

PaF foi (suficientemente) longe

Uma maioria grande e boa. Foi o pedido, foi o concedido pelos eleitores.
O Governo conteve as suas perdas a cerca de 12%.
O PS não capitalizou esse desgaste (os indecisos ao centro) e perdeu o voto de protesto para o BE.
Vêm aí anos difíceis, mas não impossíveis.

outubro 02, 2015

Reta final : PaF vai lá?

Nesta reta final da campanha eleitoral, ainda há alguns fatores em jogo: será o PaF capaz de recuperar a massa indecisa ao centro que lhe garantiu (e garante todas) a maioria absoluta em 2011?
Seria um enorme feito, claramente de Passos Coelho, se assim fosse.

E a verdade é que é bem possível. O PS, contando que à sua direita eram favas contadas, atacou à esquerda e fez um discurso à Syriza. Neste momento, arrisca-se a perder tudo, à esquerda e à direita restando-lhe apenas a sua base fixa que rondará os 25% a 30%.

1)À esquerda perderá tudo devido à inutilidade do voto útil. Porque para um governo à esquerda, quem é próximo do BE ou da CDU vai lá votar para fazer crescer o peso da decisão destes (dos seus) partidos.

2)À direita, todos os que tenham um palmo de testa, que entenderam que as políticas seguidas nos últimos anos foram as necessárias depois da desbunda do governo do PS, ao desenvolver as (mesmas) políticas que agora Costa anuncia.

3)Os ainda indecisos dessa zona, talvez se decidam a re-votar na coligação face à perspetiva de uma maioria socialista que, a ser governo, será sempre Syriza levando-nos para o beco sem saída da Grécia. Maioria que será mais gravosa pois terá um PS fragilizado e um BE e/ou CDU reforçados a pedir políticas suas.

4)No próprio PS começa a ser confrangedor o gaguejar, a argumentação incongruente, as promessas ocas. Não há consistência. Não há confiança.

Mas, a verdade é que podemos cair no fosso da esquerda.

As democracias ocidentais estão claramente fragilizadas. À esquerda ou à direita. E isso por culpa própria. É urgente entender que não há mais crescimento económico e que por aí não se vai. Não podem existir défices públicos e só podemos contar com o que produzimos (e vendemos). Mas acima de tudo é absolutamente necessário repartir o trabalho disponível (e o respetivo rendimento). Porque, se assim não o fizermos teremos menos nascimentos e mais emigração jovem - que farão toda a falta no nosso futuro - e ainda mais subsidiados (a dar votos às margens políticas demagógicas que prometem mais subsídios) que são quem passa a decidir eleições.

No dia em que houver mais subsidiados do que trabalhadores a votar, é o fim.

setembro 28, 2015

Voto útil

O PS, na sua estratégia para as eleições de 4 de Outubro, entendeu que os votos ao centro eram seus face ao desagrado criado contra o Governo, pelos anos de troika. Pelo que enveredou por um discurso à esquerda, à Syriza, com vista a ganhar o voto útil na zona, em prejuizo do PCP e do BE.
Correu tudo mal.
Primeiro, aquele grupo (ao centro) mesmo desagradado com o Governo, entendeu que os anos de troika foram uma consequência simples da governação anterior. E que os anos difíceis foram a paga dessas políticas erradas à esquerda. E perceberam que simplesmente coube a este governo (à formiga) resolver o problema antes criado (pela cigarra). Juntando este pressuposto ao dicurso irresponsável à esquerda, os indecisos não se balançaram para o PS. E mantiveram-se indecisos. Mas a indecisão já está do lado da balança que menos serve ao PS. Ou se mantêm indecisos ou renovam o voto no PaF. Mas a estes já voltamos.
À esquerda, a luta é fraticida, na conquista do voto.
Chegados à campanha eleitoral, com tudo empatado entre o PaF e PS, ficou clara a impossibilidade da maioria absoluta. Pois o PS não conquistou o centro indeciso. Foi demasiado Syriza, criou desconfiança...
Com a maioria absoluta inalcançavel, esbateu-se a importancia do voto útil à esquerda. O que leva (e levará) mais alguns pontos do PS para o PCP e BE que concentrarão os seus esforços na reta final da campanha nesta recuperação de votos.
Com o PS reduzido a intenções de voto cada vez mais "relativas" ficará claro aos indecisos do centro que à esquerda teremos um PS fragilizado e dois partidos reforçados ainda mais à esquerda, com votações ao nível dos respetivos máximos.
E é este panorama de uma maioria à esquerda onde as políticas serão controlados pelo PCP ou BE e que poderá levar o País em 2 anos à troika, que pode fazer com que os indecisos se decidam e votem pela estabilidade dada pelo PaF.
É esta perspetiva que terá de ser "batida" pelo PaF nessa reconquista (para o voto) da maioria de indecisos ao centro. O que levaria a um reforço da maioria do PaF, se não para a maioria absoluta, para uma maioria "boa e grande" que asseguraria uma governação equilibrada com um (outro) PS mais ao centro e responsavel, depois de afastadas as tendências (mais à esquerda) que lideraram o partido após Seguro. Que, a propósito deve estar com um leve sorriso, à espera do dia 4 para libertar uma enorme gargalhada.

setembro 27, 2015

Costa "cigarra"

Costa diz que Passos Coelho é o lobo que parece a "avozinha". 
Capuchinho Vermelho: uma comparação que fica muito longe da realidade que (aqui sim) nos transmite outro conto clássico: a Cigarra e a Formiga.

A cigarra (como os socialistas) acha que há sempre uma formiga algures que lhe assegura o necessário para se manter sempre em "festa".

Entendem os socialistas que há muito a distribuir. Simplesmente porque é de direito. 
Mas, distribuir o quê? Não fazem ideia. 
Então, como Sócrates, sem mais impostos para subir, querem distribuir o que pedem emprestado. Mas isso vale até onde? Quanto Sócrates saiu, já ninguém lhe emprestava mais nada e todos os credoresvexigiam o pagamento da dívida.

Tivemos 3 anos a sofrer para recuperar a confiança de quem nos empresta o dinheiro que precisamos para a renovação da dívida e o financiamento do défice. Esses empréstimos têm uma condição básica: manter o défice baixo (ou nulo). Coisa em que os socialistas nem querem pensar. Pois prometem sempre dar mais (sem terem o que dar). Ora, ou nada cumprirão ou vão gastar de novo e rapidamente as reservas deixadas e o pouco crédito que temos. Cigarra-Formiga-Cigarra.
Depois, é simples: pela 4ª vez, a troica, um programa de resgate e anos difíceis. Mais uma vez...
E isto vale para toda a (irresponsavel) esquerda que temos. Syrizas... 

setembro 24, 2015

Todos a zurzir no défice

Ontem, a esquerda atacou forte sobre o valor do défice.
Nada de inesperado, mas demasiado básico.
Então, estão todos a reclamar do défice (que a meio do ano estava já a 4,7%) esquecendo-se do que disseram cinco minutos antes sobre o exagero da austeridade, dos impostos altos, dos cortes dos salários e das pensões...

Ora, mais uma vez, fazem-nos todos tontos.
Onde estaria este défice se o Governo não tivesse feito o que fez, ao contrário do que defede a oposição?

Quanto aos "custos" do Novo Banco que é como quem diz, do descalabro do BES, duas coisas: 

1)Nem tudo está perdido pois ainda há alguma coisa a vender. Mas, a verdade é que a venda não cobrirá o custo pelo que haverá qualquer coisa a pagar. Menos que no caso de outros bancos;

2)O roubo e o descalabro ocorreu por muitos anos (a maioria "socialistas"). Coube a este governo detetar, aguantar com o rebentamento da "coisa" e tratar dos seus efeitos nefastos...

Afinal, "estes" apenas estiveram a tratar dos problemas criados e deixados pelos "outros". Agora, depois de todo o esforço feito vêm estes "outros" a querer imputar culpas dos efeitos da "cura" aos primeiros. Muita lata...

setembro 21, 2015

PS e Costa : argumentos e chavões

São demasiado básicas e demagógicas as matérias que corporizam os chavões do PS com vista à conquista dos indecisos nas próximas eleições.

Sinceramente, o PS arrisca-se a perder muitos dos votantes aparentemente já conquistados. Isto porque os argumentos utilizados são tão desesperados como assustadores para quem tenha alguma (mínima) capacidade de pensamento.

Vejamos:

1)O PSD chamou a troica. Devem estar a brincar. Mas o assunto é demasiado sério para ter piada. Só por dizer isto, devia levar uma sova a 4 de Outubro. Merecia.

O PS levou o País à bancarrota. Chegamos a 2011 sem dinheiro, com um défice de 10% do PIB (o Governo gastava mais 20% do que conseguia cobrar) e várias tranches da dívida pública venciam-se nos meses seguintes. Ninguém nos emprestava nada, estavamos no "lixo" para os investidores internacionais. Precisavamos de dinheiro para mantermos as coisas à tona. Quem nos emprestava? A referida troica (FMI mais os nossos parceiros europeus). Havia alternativa? Não. Quem nos levou à troica? O PS. Quem a chamou? O PS. Quem desenhou o memorando? O PS. O que fez o PSD? Manifestou a sua concordância pelo empréstimo que evitou a rotura, tendo até assumido (como partido maioritário da oposição e futuro governo) as responsabilidades de cumprir com a tais metas contratadas pelo PS mesmo se tendo confrontado (mais tarde) com a insuficiencia das medidas elencadas (o que levou ao conhecido ir além da troica).

2)A coligação empobreceu o País. Mais uma brincadeira sem graça.

O PS governou anos em defice galopante. Ou seja, gastando, distribuindo e dando o que pedia emprestado. Como acontece sempre, chegou o dia que mais ninguém lhe emprestou dinheiro ... e, para safar as coisas, veio a troica. 

A riqueza anterior era falsa. Resultou de dinheiro que não tinhamos. VIviamos melhor, mas com dinheiro emprestado. E chegou o dia de o pagar. De "vir à terra", de voltar aos níveis de vida que podiamos ter, com o dinheiro que criavamos. Com a agravante de termos que cair ainda mais, pois havia uma dívida a pagar. O que gastamos a mais ontem era a verdadeira razão dos cortes de hoje. 

Pelo que não empobrecemos coisa nenhuma. Deixamos apenas de fazer vida de rico com o dinheiro que não tinhamos. Mas não pudemos voltar a gastar apenas o que produziamos. Não. Tivemos que nivelar ainda mais por baixo pois tinha sido criada uma dívia - a pagar.

3)A coligação não reduziu a dívida. Até a aumentou. A coligação foi para além da troica. Aumentou impostos e cortou, demais, onde não devia. Mas, afinal, onde ficamos?

Como é possível repetir e insistir numa afirmação tão contraditória como esta?
A coligação, a muito esforço (da população) baixou o défice de 10% para 3%. A caminho dos 0%. Se seguisse as políticas defendidas pelo PS (as mesmas que levaram o País à ruína em 2011), o défice estaria muito mais alto e a dívida dispararia... E, mais uma vez, ninguém nos emprestaria e... troica outra vez.

Aumentou a dívida? Claro. Enquanto há défice (e há défice quando se gasta mais do que se recebe) a dívida aumenta. Os doutos economistas do PS não explicaram isto a Costa?

Para o PS a coligação peca por ter ido além da troica (reduzindo o défice e estancando o crescimento da dívida, assegurando que pelo menos tinhamos o dinheiro da troica) mas também peca por ter aumentado a dívida... Ora, uma contradição total.

4)Crescimento económico é que salvará tudo isto. Baseado na procura interna...

Como é possível, nos dias de hoje, acreditarmos numa falácia deste tipo. Crescimento económico? Procura interna? Mas como? Com que dinheiro, se não produzimos? Com empréstimos? E logo depois quando for necessário paga-los?

Só há crescimento económico com aumento de produção transacionável. Acreditar que o consumo interno poderá garantir isso é um pressuposto que nos levará de novo à troica. O consumo interno logo garante mais importações. E mais défices (desta vez comerciais). Não tem sentido lançar dinheiro para garantir consumo interno quando esse consumo acaba no exterior.

Há sempre uma cigarra para suceder às formigas. Uma cigarra que acredita que há ou houve uma formiga que se precaveu pelo que pode bem se divertir à beça...
Há sempre um socialista que acha que alguém produziu e tem o que ele precisa para distribuir por quem não produziu.
E como, hoje, nas democracias ocidentais os subsidiados sociais (antes era a classe média trabalhadora) são quem ganham as eleições, estamos lixados...

Dias duros. Para Portugal e para as democracias ocidentais à conta de esquerdas tão irresponsaveis. Até que se entenda o que está em jogo (o fim do crescimento económico tal como o entendiamos) só damos passos firmes para o abismo.

setembro 19, 2015

PS+PC? ou PSD/CDS a prazo?

Está mais ou menos visto.
Novas eleições dentro de 3 meses.
Nenhuma das partes governamentaveis tem a maioria.

Três possibilidades resultarão:

1)Se ganha o PS, terá (mesmo, mesmo que a contragosto) governar à Siryza. Pois precisará do BE ou do PC. Medidas difíceis para endireitar as contas públicas (sim, rumo ao défice zero, única possibilidade de nos safarmos) nem vê-las. Caímos no mesmo depois de deitarmos ao lixo os esforços dos últimos 3 anos. Depois de dois anos de desbunda à esquerda, o défice dispara, a dívida idem até ninguém nos emprestar mais nada. A cigarra volta a chamar a formiga (troica).

2)Ou ganha a coligação PSD/CDS e nada passará no parlamento. Aqui há uma possibilidade: cai Costa e vem alguém que governe em bloco central. 

3)Senão, novas eleições dentro de 3 meses com novas caras no PS. Aí, voltamos ao zero mas talvez já com um PS menos à esquerda apontando para soluções "alemães".

A escolha está nestes termos:

A vitória PS é um beco sem saída. Pois governará à esquerda, condicionado pelo PC ou BE. O fantasma grego.

A vitória Coligação, dentro do impasse, terá mais saídas. Pois obrigará a um PS menos à esquerda que permita acordos ao centro e aí, teremos uma janela de oportunidade...

Estamos nos impasses da democracia. 
A maioria vive de subsídios, as eleições são ganhas por quem os promete...

Daqui só sairemos quando se efetuar uma mudança estruturante que não deixa de ser simples: a unidade de trabalho (um emprego) passa a ter, de base, menos horas diárias (digamos 6) com o corte remuneratório correspondente. Desta forma esbate-se o desemprego, ajustam-se as situações (empresas e estado) de sobre-emprego, aumenta-se a qualidade de vida (menos trabalho) mesmo que à custa de um corte de rendimento. Corte esse que potênciará novo emprego, menos subsídios, trabalho para os jovens, menos emigração, mais natalidade, reequilibrio das contas do Estado e da Segurança Social.

De que estamos à espera? Da morte das democracias?

setembro 17, 2015

Costa cigarra outra vez?

O PS volta a trazer a política da cigarra face à formiga.

Começo a ficar indignado com o discurso do Costa. E quais são o chavões?

1)O Governo aumentou a dívida. Um pecado... Mas, ao mesmo tempo acusa o mesmo Governo de ter feito demasiada austeridade. Mas, onde ficamos? A austeridade serviu para diminuir o défice público, o que permitiu descer dramáticamente o crescimento da dívida. Pois dívida igual só com défice zero. Ora todas as políticas do PS apontam para (muito) mais despesa pública. Logo mais défice e muito mais dívida.

2)O Governo foi além da troica (e até a chamou). Ora, o PS levou a dívida à estratosfera e o País à bancarrota. O que se seguiu (três anos) foi um período difícil para resolver o problema criado pelo PS. A troica veio e tinha que vir porque mais ninguém nos emprestava nada. Não havia dinheiro e a dívida não conseguia sequer ser renovada. Quanto mais o défice pago... A troica definiu objetivos. As medidas no memorando foram colocadas pelo PS para "ajudar" ao trabalho necessário no futuro. Mas ajudou pouco porque esse trabalho teve de ser feito por este governo. E essas medidas não chegavam aos objetivos da troica. Teve que se ir mais longe para atingir os objetivos que até foram alijeirados.

A vinda da troica era uma inevitibilidade pelo que fez o PS antes. Com a troica veio o único dinheiro possível que precisavamos.

O discurso de Costa é muito básico e extremamente demagógico. Vai perder quem tem meio palmo de testa. Pois é incongruente e contraditório.

Pelo que, outra vez a cigarra? 
Quando ainda nem temos as contas públicas com défice zero? 
Não obrigado.

maio 31, 2014

Chumbo do Tribunal de Contas

Depois do chumbo de Seguro ao Governo e de Costa a Seguro, vem o chumbo do Tribunal.
O Governo ganhou o seu último ano de legislatura.
O PS ganhou alguns meses de confusão interna. O País que espere. A verdade é que o erro do PS vem de trás. Seguro é pouco capaz e esteve na liderança tempo de mais. Vieram os 31% e caiu o Carmo e a Trindade. Foi um ror de socialistas a zurzir no pobre do Tó Zero. Até o velho Soares...

O Tribunal de Contas veio decidir em matéria de legislador. E, assim, interviu no sentido contrário ao que defendeu: os cortes apenas são lícitos se aplicados apenas a uma parte dos pensionistas e funcionários públicos. Estranha igualdade...

Ao governo, restam algumas saídas. Algumas interessantes: aumento do IVA (tem muita margem de subida, por troca com descida dos impostos sobre o rendimento e das taxas sociais sobre o trabalho); e, redução unilateral do tempo de trabalho dos funcionários públicos com ajuste equivalente dos salários (o rendimento/hora não é mexido o que retirará o Constitucional do caminho); quanto às pensões por excesso dos atuais reformados (nunca descontaram o que estão agora a receber à conta dos descontos das gerações seguintes que nunca terão retorno dos mesmos) é assunto bem mais complicado. Pois, aí, os Juízes anacrónicos tratarão sempre de defender o seu... 

maio 26, 2014

Eleições - a mensagem

Resultados com uma mensagem muito clara: 

não gostamos de ver reduzidos os nossos rendimentos e níveis de vida, de perder o emprego e ter que imigrar mas a verdade é que reconhecemos que a este governo (formiga) não restaram muitas alternativas. Não nos esquecemos que foi o PS (cigarra) que levou o País à ruína e que assinou um Memorando em 2011 com objetivos de ajustamento a troco do dinheiro que já não tínhamos.

O PS ficou entre a espada e a parede. O resultado não foi mau ao ponto de Seguro ter que sair, nem atingiu níveis que garantam seja o que for nas legislativas dentro de um ano. Nem justificou o desejo socialista da antecipação das mesmas.

Marinho Pinto cavalgou a insatisfação com o status quo e a abstenção foi a reação mais forte dos portugueses. Não gostam mas ... não há alternativas. 

Consideramos até, que a abstenção revela mais insatisfação para com o PS do que para com o Governo. Ou seja, o PS é o causador de tudo isto e não merece confiança no processo que se segue. Ou seja, ainda não é o tempo da cigarra...

Quanto ao Governo, os resultados traduzem a insatisfação do que aconteceu nos últimos 3 anos. Daí que os potenciais eleitores dos partidos da maioria ficaram em casa. Pois, reconhecerão, a verdade é que talvez não houvesse mesmo alternativa. Pelo que não se justificará a mudança. E, nessa ordem de ideias (não gostamos, mas...), o Governo até trabalhou bem e tem seguido o seu caminho no sentido da anulação do défice (só chegados aí é que a dívida fica contida e, por isso, será gerível).

Há mudanças a fazer? Sim. E em toda a Europa. Basicamente, duas coisas:

1)Alterando a típica unidade de trabalho de 8 horas para 6 horas. Com redução de rendimentos de 25% mas dando trabalho a quem não o tem, reduzindo a emigração e potenciando o aumento da natalidade.

2)Alterando por completo o sistema fiscal vigente. Mantendo o IVA (mesmo que crescendo até os 40%), eliminando totalmente os impostos sobre o rendimento e os custos sociais sobre o trabalho. Tudo, mas tudo seria financiado pelo IVA, consignando fatias da receita para cada fim de intervenção estatal. Assim, as produções nacionais ficariam mais protegidas (sem vantagens, mas também sem as desvantagens atuais - os custos sociais são aí totalmente cobrados) das importações.

maio 23, 2014

O canto ensurdecedor das cigarras - Europeias 2014

Estamos a terminar a campanha eleitoral para as Europeias. E é ensurdecedor o canto das cigarras.

Depois de terem colocado o País na bancarrota e, antes de serem postos a andar, de assinarem um acordo de sobrevivência com três entidades financeiras que nos asseguraram o dinheiro necessário (a troco de medidas duríssimas de ajuste aplicados por outros), voltam agora, pujantes, cantando a plenos pulmões contra a austeridade e a favor do crescimento.

Vaja-se a lata: anotam que a dívida cresceu. Ora, pois cresceu. O que acontece sempre que há défice. Ou não sabem disso? Mas o défice de 10% de Sócrates (aí sim, a dívida crescia abruptamente) foi contido para 4% este ano (prevê-se).

Mas mais contraditório é o facto de serem contra a austeridade que permitiu esse ajuste. Para eles, era sempre mais Estado, mais despesa… Logo (mas não reconhecem) mais défice e mais dívida. A demagogia (o seu canto de cigarra) dá votos.

Mas, e aqui todos enganam, a coisa não acabou. E não pode acabar enquanto não eliminarmos o défice. Aí sim, a dívida já não valerá de muito. Pois bastará geri-la, pagando os juros. E quem disse (e bem) isto? Sócrates, na sua estada em Paris…

Os esforços que ainda faltam estão já encaminhados. Para atingir 2,5% de défice em 2015 e, depois, o zero nos dois anos seguintes. E isto são esforços e dificuldades que se acumulam às anteriores. Não são dificuldades estendidas no tempo, mas novas contenções que se somam às já aplicadas.

A nossa esperança é que a economia, vendo-se no bom caminho, possa arrebitar e permitir que este fim de programa possa ser atenuado.

Só que, as cigarras estão a cantar bem alto. Se o povo não entende que precisamos de mais algum tempo de formiga, pelo menos até acertarmos isto, estamos bem tramados. É que volta tudo ao mesmo e dentro de 3 ou 4 anos, estamos com troikas de volta…

abril 03, 2014

Constituição - faz anos

O discurso está a extremar-se.

Temos, de um lado, as cigarras, com discurso proximo do do PREC, na defesa da Constituição e dos direito (adquiridos) de Abril, contra o “desmantelamento” do Estado Social. Do outro, as formigas, que defendem  a austeridade e a redução do Estado.

A verdade é que é urgente sermos pragmáticos.

A dimensão do Estado - e aqui incluimos tudo, desde os serviços públicos prestados, o respetivo nível de cobrança, os subsídios concedidos e as pensões pagas – não pode ser determinada ideologicamente e definida de forma imutável. Não é possível.

O papel do Estado sim. Pode ali ficar registado.

O Estado redistribui recursos. Aqueles que recolhe por via dos impostos e pela cobrança de serviços que presta à sociedade. Retiradas as despesas que tem.

A ideia “cigarra” que o Estado só pode ter uma dimensão crescente é absurda. Afinal, os recursos disponíveis são variáveis. E decrescem...

A ideia “formiga” de que o Estado não deve gastar (distribuir e usufruir) para alem do que recolhe é correta. Chama-se a isso austeridade? Que seja.

A ideia “cigarra” de que empobrecemos quando deixamos de suportar (a dimensão d)o Estado que temos através de empréstimos externos é demagógica e extremamente egoísta. E isso porque transfere o ónus deste Estado (social) que hoje se usufrui - constitucionalmente - para as gerações futuras, que o terão de pagar (através dos empréstimos de hoje).

Nós não estamos em crise. Nós estamos a ajustar. 
E ajustar não garante o regresso às (boas e nem sabíamos disso) condições de vida do passado...

Nós não podemos ter um Estado maior do que aquele que teríamos se não recorrêssemos a empréstimos externos.

Nós não podemos contar com um hipotético crescimento económico futuro, com base numa força de trabalho que hoje, porque está inactiva, emigra.

Nós não podemos contar que a juventude fique num país que não lhes dá trabalho, não tem recursos para apoios sociais e onde apenas lhes resta pagar os empréstimos da geração que os precede.

Infelizmente (não gostamos mas) teremos que somar mais austeridade à austeridade actual.

Juntando mais austeridade (que nos levará de um défice dos 4% para o zero) aquela que se implementou para levar o défice dos 10% de Sócrates (o pai de todas as cigarras) para os 4% previstos para este ano. E duro, mas realista. Não queríamos, não gostamos, mas tem que ser.

O nosso "mundo", criado pelas cigarras, com muitos cantos, não era um mundo real. E chegou o momento de ajustar, de trabalhar mas com a carga acrescida do pagamento das dívidas anteriores.

Nos próximos tempos, teremos que “aguentar” com uma campanha eleitoral onde um dos lados (dizem que o mais forte) é constituído pelas cigarras (fechem os ouvidos...) que no passado fizeram tudo errado, dimensionando o Estado à conta de empréstimos externos. O seu canto revelará a tentativa de branqueamento e benefício do infractor...

A verdade é que as formigas, hoje no Governo, até poderão ser “julgadas”. Mas apenas por (ainda) não nos terem conseguido retirar do buraco que os outros (as cigarras) nos conduziram. 

São “crimes” diferentes, teremos que entender. Até porque o buraco era bem fundo, estando hoje um pouco menos. Não no que se refere à dívida (as cigarras, demagógicas, vão apontando a não redução da dívida como falhanço deste governo) pois havendo défice, cresce sempre a dívida. Mas, agora, cresce bem menos, em cada ano, com base na austeridade sempre contestada pelas cigarras: o défice, caiu de 10% PIB ao ano para 4%. Mas faltam ainda eliminar estes 4%...

Finalmente, teremos que agir em conformidade no que respeita à redistribuição do trabalho. Porque não haverá outra saída. Antes que o País jovem, garante do nosso futuro, saia todo porta fora...