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janeiro 10, 2013

As “soluções” do FMI

Sabemos que será necessário cortar alguns mil milhões de euros à despesa pública.
Para que isso seja possível é necessário tomar medidas difíceis.
Sabemos, também, que medidas difíceis não são tomadas por eleitos. Daí que se explica porque é o FMI que vem trazer estas sugestões (ou imposições?).

Vital Moreira escreveu e escreveu bem. O Orçamento de 2013 está equilibrado e não será inconstitucional. Os funcionários públicos trabalham 35 horas (menos 5 horas semanais que o horário “privado”) e que, talvez por isso, só recebem e isso é aceitável, 13 ordenados anuais (e não 14).

As medidas do FMI são erradas. Sem que os objetivos a atingir o sejam.

É mesmo necessário cortar a despesa pública.
Maximizando recursos, reduzindo os desnecessários, reformulando a oferta.

E como se faz isso? Despedindo?

É aqui que tudo descamba. Não é despedindo que o problema se resolve. A solução passa pela redistribuição do trabalho – efetivo – ainda existente …

Precisamos estabelecer um teto de desempregados. Sabemos que, acima de um determinado número ou taxa, as coisas partem. Partem pela rotura social nas ruas, partem pela desestabilização política (que ocorrerá normalmente nas eleições seguintes), partem pela emigração (de jovens) que levam, com eles, para longe, o futuro do país. Parte pelos que ficam, mais pobres e sem perspetivas de futuro que não as negativas, da incerteza e do desemprego latente.

Mais trabalho para alguns (os empregados) não é solução alguma. Isso não aumenta a produtividade do País. Tão só aumenta a produtividade pessoal de uns (os empregados) reduzindo a zero, a de outros (os desempregados). E não é solução, pelo menos quando a taxa de desemprego sobe acima dos 10%.

E, mais trabalho, são mais horas, mais dias, menos feriados, menos férias, reformas mais tardias. E esta é a solução errada.

É que, havendo apenas este trabalho (o que temos), temos que rentabiliza-lo. Pois não haverá mais trabalho, tão cedo, no País. Pelo menos num horizonte próximo, ou seja, naquele que impeça a imediata saída de muitos milhares de jovens do País. É necessário estancar, de imediato, esta sangria.

Voltamos ao início:

É mesmo necessário cortar a despesa pública.
Maximizando recursos, reduzindo os recursos desnecessários, reformulando a oferta.

A solução de redistribuição do trabalho é simples e eficaz: todas as entidades empregadoras (incluindo o Estado) ficariam livres de reduzir – unilateralmente - até 20%, a carga horária de trabalho de cada e de todos os seus trabalhadores com corte equivalente do seu salário mensal. Não haveria um corte remuneratório (valor/hora), mas sim um corte salarial (valor/mês). Penso que a Constituição não impediria isto.

Esta medida teria um caracter provisório (mas sem prazo de reversão), era opcional (o empregador tomaria a decisão se quisesse) e poderia ser discriminatória (aplicando-a a uns e não a outros). Haveria uma proteção a quem ganhasse menos de 1,25 vezes o salário mínimo (a fim de ninguém passar a ganhar menos que esse valor) e implementar-se-iam regras de promoção da medida (novos empregos, ocupados por jovens, por conta deste processo teriam Taxa Social Única reduzida a metade).

Esta medida reduziria, de forma imediata e de base, em 20%, os custos salariais do empregador.
Onde o pessoal estivesse a mais as coisas se ajustariam.
Onde o trabalho se tornasse por demais, seria possível empregar jovens.

Finalmente, na área da Reforma, em vez de aumentar a idade limite (mais um erro de palmatória), urge antecipa-la. E, até, talvez, compulsivamente, com o ajuste (no valor) devidamente calculado. Para abrir emprego para os jovens.

Quanto ao valor das reformas, estamos de acordo. Os valores hoje aplicados, em muitos casos (as reformas mais altas, acima do salário mínimo) estão bem acima das contribuições feitas. Feitas num tempo fácil em que essas contribuições eram suficientes para satisfazer o (curto) rol de benificiários da altura, mas insuficiente para os benefícios próprios no futuro. É que estes benefícios, hoje, estão a ser sustentados pelos trabalhadores que não as terão no (seu) futuro (até porque os jovens, que os poderiam sustentar no médio logo prazo, estão a sair). O que torna insustentável a situação. Pelo que um ajuste das reformas atuais é aceitável.

Com estas medidas, teríamos muito mais a trabalhar e menos nas ruas, indignados.
Muitos mais a contribuir e menos a receberem subsídios.
Muitos mais empenhados na recuperação do País e uma luz ao fundo do túnel.

Assim… como estamos a seguir, não. Já ninguém aguenta Gaspar e Passos Coelho. E até já vamos tendo alguma simpatia com o Ministro da Economia…

Continuamos indignados com o caso BPN. São 6 a 8 mil milhões, literalmente roubados, nas mãos de muitos, pagos pelos contribuintes. No mínimo, não havendo justiça, era exigível a divulgação de nomes dos que originaram as imparidades nesse banco e noutros, onde as imparidades foram "absorvidas" e onde agora entram fundos públicos e impostos nossos. Estando nós a pagar, tudo fica situado fora do negócio (e segredo) bancário. Daí querermos saber tudo.

E, voltando à forma como se vai gerindo o problema do desemprego, só podemos especular. E supor uma teoria da conspiração. Estando perante um conluio gigantesco cuja finalidade é sugar até ao tutano a nossa juventude, formada, direcionando-a para empregos mal pagos (mas sempre melhores que o desemprego na origem) nos países “mandões” do centro da Europa. Ávidos de substituir a mão-de-obra muçulmana por outra, mais integrada e mais “dócil” no futuro (nas segundas gerações).

dezembro 31, 2012

Burlas e burlões

Continua o "alarme" comunicacional à volta de um tipo chamado Baptista da Silva. Alguém cujo "pecado" foi, simplesmente, colocar a ridículo toda essa comunicação social (sim, no seu todo, pois destes haverá muitos, ainda por detectar) que, agora, o chama burlão...

A verdade é que o homem apenas falou. E muitos o ouviram e caíram no logro. Terá roubado alguma coisa? Aumentou o défice? Não. Apenas fez de alguns, uns patos...

Entretanto, fomos sabendo que no BPN, continuam as surpresas. Todos os que lhe deviam "algum" deixaram de pagar. Pudera: o buraco é do Estado que terá de o tapar, à custa dos contribuintes. Ou seja, à custa de todos nós, dos nossos impostos crescentes, dos nossos rendimentos decrescentes, da nossa economia mitigada. Do nosso desemprego.

Burlões? Burlões são estes. Os que burlaram o Banco e criaram uma lista enorme de enormes imparidades e todos aqueles que mantêm tudo no segredo dos deuses.

Qual segredo bancário? A partir do momento em que somos nós todos a pagar, isso não existe. Continuo a manter a minha indignação face a todos os que estão a reter a lista de todas as imparidades que estamos todos a pagar. Mantenho querer saber a lista de todos os tipos que causaram, a partir de 1995, qualquer imparidade no BPN acima do milhão de euros, dando, de barato os valores abaixo.

E quando o nome em questão for uma qualquer empresa imperceptível de um qualquer off-shore, quero o nome dos que trataram do negócio. De um lado (banco) e do outro: advogados, testas de ferro, os detentores das procurações.

Porque, burlões - mesmo - são estes. Com repercussões evidentes nas nossas vidas.

O Baptista da Silva? É apenas um elemento do Circo de Natal. Que fez de outros... palhaços. Bastando, para isso, que tivesse dito aquilo que esses palhaços queriam que dissesse. Fazendo coro com eles...

outubro 03, 2012

Nacionalização do BPN custa 3,4 mil milhões aos contribuintes

Notícia de hoje, problema de ontem.
Nada de inesperado.

É um assunto de polícia e justiça. Mas muito mais do que isso, é caso político e de absoluta necessidade de informação pública.

Afinal, como refere a notícia do SOL, serão os contribuintes a pagar por este roubo. Muito dinheiro, por muito tempo. Muitos subsídios dos funcionários públicos e pensionistas, muitos ordenados (através de novos impostos prestes a chegar) de todos os trabalhadores.

Se é necessário (e teremos de acomodar) um ajustamento (não forçosamente o que está em curso) em baixa nos nossos níveis de vida, é inaceitável que não possamos aceder à informação básica e essencial no que diz respeito a esta matéria com impactos tão substanciais.

Quero conhecer (porque eu sou - também - pagador), a lista de imparidades e créditos perdidos, acima de 1 milhão de euros (dando de barato os roubos menores) que esse banco registou desde 1995 nas suas contas (que, acho, estarão já consolidadas, em 2012...).

E, neste esclarecimento, não quero apenas nomes de empresas obscuras de off-shores. Quero, isso sim, os nomes de quem emprestou e decidiu o empréstimo, de quem tratou do negócio (testas de ferro, sociedades financeiras e de advogados) e quem recebeu o empréstimo e depois o "colou ao tecto". E, mais uma vez, para eliminar a vontade de encapotar a informação, atrás das tais empresas obscuras em off-shores, a cada uma, deverá corresponder sempre um nome de quem tratou deste assunto, por ela...

Eu tenho este direito porque estou a pagar. E se o Estado (de direito) que temos não for capaz de me informar nestes termos (não é acusação, é informação) então muito mal estamos. Partidos, Estado, Justiça...

fevereiro 06, 2012

Bancos, lucros privados e prejuízos públicos


(gostaria de saber) que negócios (e com quem) custaram dinheiro (e prejuízos) ao Banco.

É usual, nos últimos tempos, se refletir sobre o período de “vacas gordas” da Banca, baseada em alavancagens, dívida e crédito muito para além do razoável (dizemos nós, hoje).

A verdade é que foram anos consecutivos de muitos lucros.

Entretanto, como todos os “esquemas de Ponzi” (ou Dona Branca), este também teve um fim. Pelo que se teve de iniciar um período de desalavancagem e redução de dívida e aumento de reservas por conta de crédito mal parado.

Também como qualquer bom “esquema de Ponzi”, todos os que entraram e saíram, ficaram bem (ou muito bem) e todos aqueles os que estavam “dentro” na rotura ficaram mal. Mas, terão mesmo ficado? Não. É que este "esquema de Ponzi" estava seguro pelo Estado. Porque se considera que há um perigo sistémico para a Economia. Assim, cabe ao Estado assumir o prejuízo final. E, quem diz o Estado diz os contribuintes (todos nós).

Não me choca nada o prejuízo dos Bancos privados. Tirando, talvez, um pouco, o caso do BCP/Millenium, um bom banco, em tempos, que acabou desbaratado pela intervenção política e não só, de um grupo de indivíduos, com origem na CGD, ali colocados por Sócrates.

Claro que se essa (ou outra) banca recorre a fundos públicos para se manter, gostaria de saber algo mais. Sobre que negócios (e com quem) custaram dinheiro (e prejuízos) ao Banco.

Pior ficamos no que se refere à CGD. Aí, os prejuízos são públicos. Mais uma vez, sendo assim, gostaria de saber, com clareza, que negócios (e com quem) custaram dinheiro (e prejuízos) ao Banco.

Mas muito pior ficamos, no que se refere a casos como o do BPN. Aí, os prejuízos são a fundo perdido. Prejuízos particulares pagos por nós. Aí, não gostaria. Exigiria. Saber que negócios (e com quem) custaram dinheiro (e prejuízos) ao Banco. Uma pipa de massa. Um buraco de milhares de milhões.

Pois não tem sentido que fiquem impunes os que usufruíram de negócios e créditos e que não os pagaram. E que, quanto aos que entraram e saíram (a tempo) no “esquema de Ponzi” maciço que se desenvolveu nesse Banco, para que, pelo menos, se lhe possa apontar o dedo. Aí, talvez não como culpados, mas pelo menos como coniventes e benificiários, legais mas imorais do esquema. Pago, no final (agora) por todos os contribuintes.

No mínimo, gostaria de ver divulgada a lista dos créditos (os significativos) do BPN e da CGD, não pagos e dados como perdidos. Com valores, datas, destino e nomes de quem os aprovou e de quem os negociou. Mas não ficaria por aí: gostaria de saber a quem e a que valores o BPN comprou ações próprias com o dinheiro que não tinha (e que agora, todos estamos a pagar).

outubro 26, 2011

A Comissão Europeia vai investigar a venda do BPN

O Estado injectou ou vai injectar muitos milhares de milhões de euros num buraco chamado BPN. O silêncio sobre o assunto é ensurdecedor.

A Comissão Europeia começa por achar que haverá ali ajudas públicas sem sentido. E vai investigar. Pior que isso, o buraco poderá consubstanciar e ser a soma de uma miríade de buracos ávidos de serem tapados com dinheiros dos contribuintes.

A questão é simples:

Aproveitando o buraco mãe, não terão sido para ali canalizados todos os maus negócios financeiros públicos dos últimos anos?

A resposta é mais simples ainda:

Elabore-se a lista dos créditos não reembolsados dos últimos 15 anos, superiores a 5 milhões de euros (ou 1 milhão de contos): para quem, para quê e autorizado por quem.

Não contam nomes herméticos de empresas sediadas em off-shores. Queremos os nomes por detrás delas ou quem os veio negociar. Segredo bancário? Isso não conta para créditos não pagos. Ou melhor, pagos por nós…

Claro que muitos dos buracos que dessa maneira seriam detectados incluirão negócios (buraquitos) mais pequenos absolutamente legais que originaram mais valias – bem distribuídas por muitos – também sem qualquer ponta de ilegalidade.

Por exemplo, se a um tipo qualquer, responsável (ou irresponsável) pelo Banco, se atribui uma quota-parte de 50 milhões no buraco total e depois se vem a saber que vendia acções a metade do valor de mercado… poderemos concluir que um qualquer buraco (negro) será a soma de muitos buracos (branqueados).

O Dr. Tavares Moreira, no blog Quarta República defende um Livro Negro do BPN. Considero ser essencial essa clarificação para que seja possível acatar com menor dificuldade todos os esforços que a dívida nos exige…

Mas não nos iludimos. 
Pois é mais que evidente a opacidade da situação e a tentativa do seu encobrimento.

setembro 05, 2011

Petição à troika: avalie também o BPN…


A troika avalia créditos concedidos pelos maiores bancos portugueses.
É notícia, hoje.

Estamos todos curiosos no que se refere ao empréstimo da CGD que permitiu à facção onde se situava Berardo tomar o controlo do BCP. Pagaremos (os contribuintes) essa aventura?

Mas avançaria com uma sugestão: juntar ao processo, o BPN. 

Atendendo ao impacto desse banco nas contas do País, haveria que fazer a mesmíssima análise a esse banco. Avaliando, digamos, as “aventuras” creditícias dessa entidade. A quem emprestou, quanto, em que condições e com que resultados.

E a análise não se deveria limitar aos empréstimos actuais, ainda pendentes, mas recuando 10 ou 15 anos, indo mesmo aos créditos já dados como perdidos e abrangidos por provisões, nos anos mais recentes.

Pois não são só os créditos pendentes que determinam a situação bancária actual. A verdade é que, se chegamos aqui, tudo se deveu ao que se fez nesses últimos anos.

Não preciso ir muito longe. Basta avaliar o que era realmente “grande” e que se deu como perdido…Mesmo se essa perda tenha já sido incorporada pelo banco, à custa dos seus accionistas (ou do Estado -todos nós, contribuintes - se a situação obrigar a um resgate).

Quanto, para onde e porquê?
Sabendo isso, identificadas as situações, poderíamos avançar, com outra segurança.

janeiro 19, 2011

o buraco do BPN e o nosso buraco

O buraco financeiro do BPN é um grande buraco.
Cinco mil milhões, mais umas menos umas centenas.
Cinco mil milhões que todos pagaremos, mais cedo ou mais tarde. 
Será das primeiras medidas a tomar pelo FMI ou pelo que aí vier tratar de nós, nos próximos meses. A integração, para pagamento rápido, desse buraco no défice orçamental.
Cinco mil milhões que muitos "mamaram". A maioria de uma forma que até poderão considerar moral. Legal até. No final (uns anos depois do que em qualquer outro país), encontrarão um qualquer responsável ao qual se poderá imputar umas dezenas de milhões. Que irá preso (por menos tempo do que em qualquer outro país).

São 500 Euros a pagar por cada português. Novo, velho, pobre ou rico.
E onde estará todo esse dinheiro?
Em todos os negócios, fraudulentos ou não, geridos a partir daquele Banco. Em todas as transacções de acções, em todas as circulações entre contas e off-shores, em todos os empréstimos não pagos, em toda a gestão ruinosa.

Porque agiram assim Sócrates e Teixeira dos Santos? Porque tinham lá fundos públicos depositados no valor de milhares de milhões. Perder esse dinheiro deixando cair o banco seria morte política imediata. Assim, pagam os mesmos (todos os contribuintes), mas aqueles dois "branquearam" a gestão desses fundos públicos que ali tinham.

Cavaco?
Sim. Parte dos 5 mil milhões estarão nos seus bolsos e nos seus bens. Uma pequena parte. Tal como estarão no bolso de milhares. Que não dão, nem deram por isso. E não tinham que dar, pois há entidades para o efeito. Há? Havia?

Sim. Mas em vez de estarem atentos a isso, estavam entretidos a contabilizar e inventar défices "virtuais" de 6,83% para lixarem Santana e lançarem Sócrates...

Constâncio? Já não está. Ficamos nós, por cá, a pagar a crise e o BPN.