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janeiro 16, 2013

A rasteira geracional - financiamento do Estado Social

A rasteira geracional

É perfeitamente claro que o nosso Estado Social não será mais do que um esquema de ponzi, um enorme embuste geracional.

O nosso sistema de financiamento da Segurança Social é socialista, dito solidário e não de capitalização. Ou seja, cada trabalhador descontaria sempre o necessário para sustentar o grupo de beneficiários do momento, em oposição a um sistema de capitalização ou poupança para as suas necessidades futuras.

Ideologicamente, são opções opostas, com as diferenças que estão à vista de todos.

Desta forma, em Portugal, ao abrigo da nossa Constituição e leis vigentes, quem hoje desconta tem em vista os beneficiários do momento, contando que amanhã, venha a receber solidariedade semelhante. Mas, e se já não houver quem desconte, nessa altura?

É aqui que reside o embuste.

Aquando do 25 de Abril, quando o sistema foi criado e legalmente consolidado, uma geração tomou conta das rédeas do País. Serão aqueles que, hoje, terão entre 60 e 80 anos. O sistema socialista (tal como a Constituição) implementado, assegurava – a essa geração – o mínimo de esforço e o máximo de retribuição.

Enquanto estivessem a trabalhar teriam que sustentar um grupo de benificiários relativamente pequeno e com direito a poucos ou curtos benefícios. Entretanto, ao “sistema” por eles criado e gerido foram juntos mais e mais benefícios. Mais e mais direitos.

Mais ou menos com a viragem do século, as contas complicaram-se. O número de beneficiários cresceu, bem como os seus direitos associados. E o sistema, para manter os direitos (irreversíveis) sem aumentar os deveres (quem o decidisse perdia as eleições e o poder) passou a viver de financiamentos externos (empréstimos e fundos europeus) a partir de uma economia artificialmente empolada por esses recursos não estruturais.

E assim, chegamos ao dia de hoje.

A economia está em ajuste (em baixa) e não haverá crescimento tão cedo. A haver, quando houver, será um crescimento a partir de um ponto de partida bem lá em baixo. Infelizmente, era com este crescimento que todos (os decisores e economistas) contavam para pagar os excessos do passado. Sem o referido crescimento, os nossos credores assustaram-se, caíram em cima e é o que se vê.

Hoje, temos um crescente número de beneficiários que recebem bem mais do que possam alguma vez ter descontado. Por outro lado, temos cada menos trabalhadores (há menos trabalho disponível) a contribuir para o sistema e, os que restam, estão cada vez mais carregados de - cada vez mais - impostos. Dessa forma, já não conseguem sustentar – solidariamente - os reformados.

Há cada vez menos trabalho.
As famílias de meia-idade estão “presas” ao País pelos imóveis que adquiriram a crédito.
Mas os jovens não. Sem emprego, nem expectativas  emigram. E com eles, vai o futuro do nosso (solidário) sistema social.

Estamos a chegar ao ponto de implosão do sistema. O que levará o País de arrasto para o abismo.

As soluções do Governo e do FMI não resolvem nada. Até acentuam o problema. Provocam mais desemprego e a saída de jovens. Independentemente dos benefícios a que possam chegar (contas publicas, balança comercial e contentamento dos credores). A verdade é que, se aí chegarmos, podemos já não ter mais nada…

A solução?

O ideal seria evoluir de imediato para um sistema definanciamento misto.

O financiamento da Segurança Social passaria a ser assegurado exclusivamente por uma parte do IVA (que poderia ter que subir substancialmente). A eliminação da TSU teria efeitos importantes na economia.

Os benefícios sociais passariam a ser todos relativos (às receitas). Ou seja, num período menos bom as pensões e os apoios reduziam-se e num período melhor aconteceria o contrário. Sem prejuízo de que, nestes períodos melhores se estabelecesse um fundo de garantia a aplicar nos momentos mais problemáticos a fim de salvaguardar mínimos. Em complemento, cada um descontaria o que bem entendesse para seguros individuais de capitalização com vista ao seu futuro.

O acesso ao sistema de saúde seria assegurado com base em seguros, sendo estabelecido um pacote básico, universal, garantido a toda a população que, por seu lado também poderia juntar pacotes complementares, por sua iniciativa e à sua custa.


Finalmente, o voucher educação, cujo valor (por nível de ensino, do pré-escolar ao secundário) seria determinado pelo custo médio, permitiria a educação gratuita na sua escola (da zona de morada), mas manteria o seu valor (haveria um pagamento complementar) numa escola privada ou numa escola pública fora de zona. No ensino superior, as propinas poderiam ser suportadas por esse voucher e, complementarmente, por empréstimos.

maio 08, 2012

Cigarra (versus formiga) vence em França


Socialistas vencem em França.
E para onde o sistema eleitoral democrático nos levará.

A alternância formiga-cigarra repete-se até à exaustão e ao descalabro. Nada de inesperado.

Mas nada mudará. A Europa (e a França também), junto com outros países desenvolvidos terão de se ajustar. Por decisão própria ou de forma imposta pelos… mercados.

E o ajuste é em baixa. No nível de vida das populações (empobrecimento dizem alguns) enquanto outras populações do planeta (muito à distância e muito abaixo) nos países emergentes ajustam em sentido contrário. Na prática, como num sistema de vasos comunicantes, ajustam no sentido do equilíbrio.

O motor desta mudança (sem inversão possível, socialista ou não) é a globalização e os elementos determinantes são o capital e o trabalho.

O primeiro desloca-se rapidamente para onde está o segundo. Pois estarão também aí as rentabilidades e garantias das respetivas aplicações. Países com défices, dívida e desemprego não terão qualquer possibilidade de atrair investimentos externos. A Grécia e o seu processo quebrou totalmente a confiança na aplicação financeira em dívidas soberanas. Daí que serão os mais penalizados no ajuste (em baixa). E estamos a falar de (quase) todos os países desenvolvidos onde a mão-de-obra é muito cara fazendo com que o trabalho saia (se deslocalize) a grande velocidade. A diferença que antes se fazia na disponibilidade de capital para investimento e pela exclusividade do conhecimento e da inovação (know how) desapareceu. Agora, estes dois elementos estão na nuvem global, em empresas extra-nacionais (para além de multi-nacionais)  “caindo” e atuando onde a produção é segura, acessível e fica mais em conta.

Será uma desilusão, em França, quando se entender que a cigarra terá que viver como a formiga…

Aí, verão, seria preferível ter a formiga a fazer o papel de… formiga.

fevereiro 16, 2012

Grécia e troika, Portugal e os outros

O exemplo da Grécia tem servido para os keynesianos (e não só) colocarem em causa o modelo da austeridade, adoptado pela troika (e por quem o negociou) na resolução da questão da dívida soberana.

Esses, vão anotando a péssima situação grega e defendem a injeção de mais recursos financeiros no sistema, ao invés da adoção do modelo da austeridade.

A troika insiste e vai criando sucessivos planos de financiamento (ajuda) baseados em mais e mais austeridade. A instabilidade política e social cresce e tudo se coloca em causa.

Todos têm razão, mas ninguém aponta a solução correta.

A verdade é que mais austeridade não trás crescimento económico. E sem crescimento económico, mantendo o modelo actual, a dívida não é suportável.

A verdade é que mais austeridade não resolve o problema do défice (o que realmente importa) pois se economia cai (ou não cresce) as receitas fiscais caiem muito mais. Porque o modelo fiscal não é apropriado para um sistema recessivo. Porque foi construído para um modelo de economia em crescimento constante (e garantido).

A verdade é que injetar dinheiro apenas adiaria o problema. Pois estaríamos simplesmente a alimentar mais um monstro que, estruturalmente, está criado para gastar sempre mais do que dispõe.

Já sabemos que as populações dos países desenvolvidos terão – todas – de se ajustar a níveis de vida mais frugais. E todas, significa mesmo todas. Incluindo alemães e americanos. E isso far-se-á em recessão. Porque, simplesmente, há centenas de milhões de chineses, indianos, brasileiros e outros a conquistar o trabalho disponível globalmente e à espera da sua vez (de aceder a uma pequena quota parte da riqueza mundial).

A verdade é que não haverá mais “mercados financeiros” disponíveis para suportar défices e refinanciamento de dívidas soberanas. Nunca mais. Nem agora, nem no futuro. E, como veremos, isso acontecerá com todos os países que, gradualmente verão os seus “ratings” cair para nunca mais se reerguerem. É uma ilusão pensar que os que agora estão fora desses “mercados” um dia voltarão aos mesmos. A realidade demonstrará que, pelo contrário, a esses países se juntarão muitos (ou todos os) outros que passarão a ser simplesmente ignorados por quem detém recursos financeiros e que os colocarão noutras paragens mais seguras e rentáveis.

Os mercados financeiros na Europa estão – para a Europa – como estiveram em Portugal na fase ilusionista de Sócrates. Aí, há cerca de um ano, nos leilões da dívida soberana portuguesa, os “mercados financeiros” – soube-se depois - eram apenas os bancos portugueses “travestidos”, a aplicarem recursos que acabavam de recolher no BCE. Hoje, passa-se exatamente o mesmo, com o BCE a emprestar centenas de milhares de milhões a 1% e os bancos europeus a comprarem dívidas soberanas. É caso para dizer que não aprendem, mesmo.

São tudo adiamentos de um problema. Que aparecerá em grande, dentro de pouco tempo.

Como já escrevi, a solução passará por:

1)Reconhecer a evidência de que vamos todos “empobrecer”. O ajuste do nível de vida em baixa faz-se em recessão.

2)Que não haverá mais crescimento económico (pelo menos antes de descermos bastante) pelo que todo o ajuste deverá ter isso em conta. E atualmente, não tem…

Assim, os países devedores terão que tomar as rédeas da situação. Unilateralmente. 

E como?

3)A dívida soberana deverá ser congelada (a cada vencimento de uma tranche de dívida, a partir desse momento, serão entregues títulos novos a 30 anos, com juros Euribor e amortização de 1% ao ano). Fundos, BCEs, troikas, FEEFs e outras ajudas internacionais passam a ser canalizadas para a defesa dos credores que não quiserem - ou não puderem - se ajustar a esta solução, e que possam originar um problema sistémico. Comprando a esses credores, esses títulos no mercado secundário (com ou sem haircuts).

4)O modelo fiscal desses países terá de ser totalmente alterado (e simplificado). Acabam-se com todos os impostos atuais, com exceção do imposto sobre o consumo. Que terá as taxas necessárias (elevadas o suficiente para compensar todos os outros impostos). A máquina fiscal, liberta da situação anterior, de gestão complexa é reorientada para a fiscalização e para a garantia de cobrança fiscal sobre o imposto único restante. Só este modelo manterá a receita fiscal equilibrada face (e proporcional) ao PIB, no cenário de queda da economia.

5)Todos os encargos sociais também se introduzem no imposto sobre o consumo. Eliminam-se todas as retenções e encargos sociais sobre as empresas. Desta forma os encargos sociais são suportados por todos (afinal todos usufruem dos benefícios) e não apenas pelos trabalhadores. Desta forma os produtos externos passam a ser taxados com fins sociais, da mesma forma que a produção nacional (antes isolada neste aspecto), eliminando-se, desta forma, uma das maiores desvantagens comerciais entre as produções internas e externas.

6)Concretiza-se uma desvalorização salarial generalizada. Na Grécia e em Portugal já feita, pelo menos, na função pública. Poderá ser associada a uma redução do tempo de trabalho, o que permitirá que as empresas se ajustem à realidade de novos níveis de procura - em baixa - que se crie mais emprego (cada um com menos trabalho) e que se evite o desemprego, a falência e a desarticulação social.

7) Com os custos laborais reduzidos (através das duas medidas atrás indicadas) poderá haver mais exportações e mais trabalho. E com menos rendimentos disponíveis haverá menos despesa e - espera-se - menos importações. Neste novo paradigma, os défices terão que ser eliminados pois não haverá quaisquer "mercados financeiros" nem "investidores internacionais" que aloquem qualquer recurso financeiro a estes países para o respectivo financiamento...

8)A liquidez cairá abruptamente (o dinheiro existente voa para outras paragens - aplicações rentáveis no exterior - e a poupança caí pela pressão da auteridade) pelo que terão de ser implementados processos de "encontro de contas" - sem dinheiro vivo interveniente - onde se incluirá o Estado, no processo de pagamento de serviços e cobrança de impostos. A fim da economia não parar.

9)O país mantém-se no Euro mas as compras ao exterior passam a ser feitas a pronto pagamento.

10)O suporte social passa a ser determinante neste ambiente de ajuste em baixa. Na garantia dos serviços sociais mínimos para ocorrer aos casos mais dramáticos. Evitando a desarticulação social e a rotura. Focalizando a disponibilização de alimentação, modelos que salvaguardem a habitação (que poderá “explodir” com incumprimentos de crédito) e na saúde, provavelmente através de novos modelos de intervenção baseado num seguro de saúde básico generalizado, a suportar pelo Estado.


11)A estas medidas juntam-se outras, de incentivo à poupança que fique - garantidamente - no país e à dinamização da economia: os títulos seguros (ler eurobonds post1, post2, post3) e os títulos comerciais.

Chegado ao ponto de ajuste, ao fim de vários anos, a vida nestes países será bem diferente, mas a perspectiva poderá ser bem mais positiva. Um arranque a partir do zero.

fevereiro 09, 2012

Keynes tinha razão!

Tinha razão ... no seu tempo. Já não teria hoje.

Hoje, há outras variáveis.

1)Hoje, os países emergentes têm todas as condições para produzirem. Nomeadamente a principal: disponibilidade de capital. Ao capital juntam a mão de obra barata. Pelo que, ao longo dos últimos anos (já alguns) foram atraindo o investimento e o trabalho. A produção e a riqueza. E foram emprestando.

2)Hoje, os países desenvolvidos perderam a produção. Com ela o trabalho e a riqueza. Não se ajustaram à situação (a democracia e o sistema eleitoral não ajudaram) e passaram a viver em défice. E, para manter os níveis de vida, prometidos aos eleitores, foram pedindo emprestado, acumulando dívidas.

3)Hoje, qualquer injeção financeira na economia só levaria ao crescimento do modelo gerador de défice (do monstro). Mais despesas, mesmo que mais receitas. Maior défice, mais dívida. Se uma sociedade tem 50 e gasta 60, o mais provável se lhe derem 55 é que gaste 66…

4)Mais dinheiro na economia não traria a fábrica dos Iphones de regresso aos EUA. Quanto muito, levaria ainda mais americanos a comprar mais Iphones… aos asiáticos.

A Alemanha sabe que não pode injetar dinheiro na Economia. Esse dinheiro arrisca-se a ir para a China, a troco de IPads e LEDs ali fabricados e a voltar nas mãos dos investidores asiáticos, nas suas compras de empresas na Europa (e, não demora nada, na Alemanha). Ou para sustentar dívidas soberanas. Que, nos últimos anos, passaram a ser um “tapete” cada vez maior sobre o qual nos movemos. Só que... a simples ameaça de ser retirado coloca-nos, a todos, em sentido, nas mãos desses credores.

O caminho que se segue é de ajuste económico e de nível de vida (em baixa), empobrecimento e recessão. Situação que, sendo dececionante face às expectativas que os nossos líderes e políticos sempre nos apontaram, tem de passar a ser enfrentada e gerida, não sendo solução entrar em lamurias e pieguices.

Neste caminho de austeridade, o modelo fiscal terá de ser invertido. Caso contrário, nada resultará. Ficaremos eternamente à espera de um crescimento económico (que não virá) e as receitas fiscais serão cada vez menores (ao ritmo da recessão provocada pela austeridade), inviabilizando qualquer ajuste no défice público e complicando ainda mais a sustentação e o pagamento da dívida.

Hoje, por hoje, haverá que assumir a situação: enfrentar a recessão como uma inevitabilidade a gerir o melhor possível. Congelar a dívida, eliminar o défice estrutural e alterar o sistema fiscal eliminando (sim, eliminando) os impostos sobre o rendimento e aumentando (até onde for necessário) os impostos sobre o consumo.

Tudo o resto são engenharias financeiras, que só adiam (e fazem crescer) os problemas. Remedeios velhos, de um passado que não voltará.

fevereiro 07, 2012

Grécia: o fim da linha para o “mundo desenvolvido”

É o início do fim.
Ou o início de uma nova era. Como se quiser.

Será brevemente confirmado que tudo o que se tem feito, até agora, no tratamento do problema da dívida soberana, apenas respeita a medidas de remedeio e de adiamento do momento em que se tem de encarar de frente a realidade. Uma nova realidade.

O “mundo desenvolvido” terá de empobrecer (pelo menos um pouco), para que o “resto do mundo” possa enriquecer (por pouco que seja). Assim, para que algumas centenas de milhões de chineses, indianos, brasileiros e não só, possam ter a sua vez, os habitantes dos países desenvolvidos (incluem-se os EUA) terão de ceder.

Para estes, um longo período de ajuste em baixa aproxima-se. Resta saber como será gerido. Em convulsão ou com contenção?

O caso da Grécia tem solução. E terá que ter, pois, de seguida, virão todos os outros países desenvolvidos. Mas todos mesmo.

E qual é essa solução?

1)Encarar a situação de frente. Reconhecer que toda esta situação é nova e que soluções antigas não funcionam. Assim, o País endividado e à porta do incumprimento, assume as rédeas da situação.

2)Unilateralmente, decide sobre o congelamento imediato da dívida soberana, sem prejuízo de assumir com o seu pagamento. Ao mesmo tempo, determina que passa a viver em situação de défice zero, inibindo-se de qualquer ajuda financeira internacional, quer para o pagamento da dívida (que é congelada), quer para o suporte do défice (que deixa de existir), quer para o comércio internacional, que se passa a fazer a pronto pagamento.

3)Assim, passa a emitir novos títulos de dívida soberana (que serão entregues aos credores à medida que as tranches de dívida se vão vencendo). Estes novos títulos terão um prazo de vencimento longo (30 anos), taxas referenciadas (Euribor) e amortização anual obrigatória (a pagar juntamente com os juros) de 1%. Para que esta situação não se confunda com a bancarrota, estes títulos deverão ser tratados "religiosamente". Sem quaisquer falhas. 

4)Provavelmente, para manter o Euro, será necessário uma desvalorização remuneratória total, aplicável a todo o País (e não apenas à função pública). Aí, as leis laborais abririam a porta à possibilidade (decidirá o empregador) de reduções unilaterais de ordenados, até 10% sem redução de horário ou até 20% com redução horária. A unidade de trabalho (emprego) passará a ser mais flexível, por iniciativa da empresa. Desta forma, as empresas poderão ajustar os seus custos fixos a uma menor procura, sem despedir. O trabalho disponível (cada vez menos) poderá ser melhor dividido. E as exportações poderão ser mais competitivas devido ao custo inferior do trabalho.

5)A “ajuda financeira internacional” deixa de suportar os devedores e passa a recair nos credores. Estes, ou “aguentam” com os novos títulos (e com as suas condições), ou vendem-nos no mercado ao preço que este definir. As perdas corresponderão ao custo do risco assumido na compra da dívida em questão. A “ajuda financeira internacional” pode intervir para evitar roturas sistémicas. Comprando, no mercado secundário, ou com haircuts negociados, os referidos títulos. Mas sempre na defesa dos credores e não dos devedores (essa fase já passou).

Seja lá como for, com esta solução ou com outra qualquer (como seja a bancarrota e saída do Euro), os mercados financeiros nunca mais sustentarão quaisquer dívidas soberanas. Os ratings actuais deixarão de ser compatíveis com uma solução de haircut aplicada à dívida da Grécia. E, rapidamente cairão para níveis de lixo. Todos. E aí, todas as disponibilidades financeiras (bem geridas) “fugirão” inapelada e rapidamente deste tipo de aplicações, deslocalizando-se para os países emergentes, onde estarão mais seguras e serão mais rentáveis.

A expectativa de, em 2013, 2015 ou 2020 os países endividados e sob medidas de resgate regressarem aos mercados é pura ilusão.

Pelo que, o caminho que atrás se anota, como o único disponível para a Grécia, ajustar-se-á, também, para todos os outros Países desenvolvidos. Passando por Portugal, mas incluindo a Itália, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Alemanha e … EUA.

Mais uma vez, a Sociedade Ocidental, nos termos que a conhecemos, chegou ao fim. Resta saber se se salvará a sua forma (através de um ajuste em baixa nos níveis de vida, depois de reconhecida e enfrentada a situação real – esta que descrevemos), ou se tudo se perderá em remedeios e adiamentos, tal como temos vindo a assistir, por parte dos líderes atuais, dignos representantes de um tipo de vida e de sociedade que levaram até ao esgotamento final.

novembro 23, 2011

O corte umbilical: o momento dos devedores

A dívida só é problema enquanto houver défice.

Daí que, enquanto há dívida é importante (para quem emprestou) que se mantenha o défice. Para que isso seja garantido, sobem os juros. Dessa forma, por muita austeridade que se imponha, a redução da despesa nunca chegará ao nível que permita eliminar o défice. Os juros não o permitirão e a austeridade não deixará que a economia descole. Porque os financiadores da dívida, para a salvaguardarem, precisam do défice…

Daí que só há uma solução:
O corte umbilical. Puro e duro.

Um País nestas circunstâncias (a partir daí) terá que se ajustar e viver exclusivamente dos seus recursos (internos). Toda a dependência externa (de energia, por exemplo) deverá ser conseguida através de dinheiro à vista ou exportações (troca directa). O corte umbilical implica esta situação. Pois a porta para o crédito fecha-se. Totalmente...

Resolvido, de forma dura (serão necessários ajustamentos internos) o problema do défice estrutural, o que fazer à dívida?

É simples: passa a ser gerida pelo devedor. 
E os investidores sujeitam-se, sem alternativa. O risco do empréstimo feito consuma-se efectivamente. Mas, talvez, da melhor forma possível:

O incumprimento passa a ser uma realidade. Mas apenas no que respeita às taxas e prazos contratados. A responsabilidade pelo valor devido mantém-se, bem como a garantia da não desvalorização do capital emprestado. As tranches da dívida, à medida que se vão vencendo, serão substituídas por títulos soberanos, a muito longo prazo (30 anos) e à taxa Euribor. Com pagamento anual de juros acrescido de uma pequena amortização do capital (1 ou 2%) que, assim, se vai reduzindo.

Nos casos em que esta solução possa consistir num problema grave ou sistémico para o credor, entrará em cena o Banco Central do país em questão (para o qual esse problema seja uma realidade), o BCE ou a Reserva Federal, comprando o todo ou a parte dos tais novos títulos emitidos pelo País devedor.

Só assim poderá haver alguma saída…

Se hoje o problema está ainda limitado, logo deixará de estar.
E isto aplica-se a todos os países desenvolvidos endividados. Itália e Espanha, mas também a França e Alemanha, cada uma com dívidas dez vezes maiores que as dos países hoje com problemas (Grécia, Portugal, Irlanda, Bélgica). 

E, logo depois, será a vez dos Estados Unidos…

É que hoje, o dinheiro (mesmo com origem nesses países) já não “escorre” para esses lados. O dinheiro não é “democrata” nem “justo”. Tal como a água escorre em função da gravidade, o dinheiro vai (todo) para onde fica seguro (junto de mais dinheiro e não onde o mesmo falta) e é rentável. O que só é possível, nos dias de hoje, nos países em desenvolvimento. 

O dinheiro não se distribui um pouco aqui e um pouco ali, consoante as necessidades… 

Vai todo – integralmente - para onde é salvaguardada a sua segurança e a máxima rentabilidade. Onde essas garantias não existem, resta a seca... pura e dura. A tal liquidez nula.

E quando chegarmos ali, todo o processo global actual, financeiro e comercial altera-se substancialmente. Era bom que não fosse um processo de rotura e que o mesmo pudesse ser feito com segurança e gradualidade. Teremos governantes à altura de entenderem isto?

agosto 27, 2011

GEC - Governo Económico Comum

A relevância da acção em conjunto obriga a decisões comuns.
Ganha-se nas possibilidades de sobreviver o que se terá de ceder em matéria de soberania.

agosto 12, 2011

O Mundo Desenvolvido terá um futuro?

Será que é difícil de entender que já nada é como era?
Que o Mundo mudou com a globalização e que o vento já não sopra de feição para os países desenvolvidos?
Que, por isso, já não basta deixar tudo como está? Que é preciso – mesmo – mudar?

Que os pressupostos de ontem já não se aplicam hoje?
Que as soluções usuais já não funcionam?

Não sei se temos futuro. Para já, as coisas não se afiguram nesse sentido...

Desde o final do século passado que as economias desenvolvidas estão em recessão real o que se comprova através da constatação de que o custo do respectivo crescimento é superior ao benefício obtido. Afinal, não se podem contar como "crescimento" evoluções do PIB na ordem dos 2% quando os défices que sustentam esse crescimento anémico, ascendem a valores três e quatro vezes maiores...

E a explicação é simples: para que muitos chineses possam ser um pouco menos pobres, a população dos países desenvolvidos terá de ficar um pouco menos rica. O Planeta não estica e as fontes usuais de energia (fóssil) estão também em queda. Estão menos disponíveis, têm maior procura - nos países em desenvolvimento - e são mais caras.

Será que o modelo de governo (democracia) usual nos países desenvolvidos, baseado na legitimação eleitoral, conseguirá produzir dirigentes capazes de dizer que:

Tudo aponta para uma realidade incontornável: não vamos mais crescer. Vamos agora trabalhar sem essa ilusão, para implementar políticas sustentadas que nos permitam viver ao nível do que produzimos, tentando evitar roturas sociais, deixando de olhar para a recessão económica como para um “bicho de sete cabeças”, e aceitando-a como o resultado de uma nova ordem mundial de distribuição de riqueza.

Será que haverá um economista que não aponte o crescimento como a saída (única) do actual problema das economias desenvolvidas? E se, simplesmente, esse crescimento não vier… nunca?

Que resultado podem ter políticas financeiras expansionistas (menores juros, mais dinheiro, mais consumo) numa sociedade (estados, empresas e particulares) que vive, estruturalmente, em défice? Que acumula dívida? O que podem esses países ganhar com isso? Nada. Talvez as multinacionais possam tirar benefícios dessas políticas. E, mesmo assim, benefícios a curto prazo apenas...

O que esperar dos mercados financeiros quando o dinheiro começa a escassear?
É difícil entender que poderá não haver crescimento suficiente nos países produtores e excedentários (agora os países em desenvolvimento) para acomodar os défices e dívida que crescem sucessivamente nos países desenvolvidos? 
E que essa escassez de dinheiro, simplesmente, provoca a subida – normal – do custo desse bem?

Não nos podemos esquecer que há 2 semanas atrás, numa decisão única, a maior economia mundial colocou “nos mercados” uma necessidade de mais de 2,1 milhões de milhões de dólares. Haverá oferta e disponibilidade financeira para esta nova necessidade? Que se junta à renovação de toda a - enorme - dívida anterior? Havendo ou não, sempre soubemos que o crescimento da procura origina maiores custos… 

E não há que diabolizar ou culpar os mercados financeiros por essa situação. Afinal, ajustam-se, simplesmente, à mesma.

Entretanto, a esquerda, recém-desalojada do poder na maioria dos países, passou a ser uma força conservadora. De bloqueio à mudança. Um travão a todas as medidas que contrariem (pois, as agora necessárias, são quase todas em sentido contrário) aquelas que tomou nos últimos anos – em que esteve no poder - e que levaram os países desenvolvidos para o estado actual. Pois essa esquerda sempre soube (ser cigarra) como distribuir sem fazer a mínima ideia como produzir (ser formiga). 

Nem soube (o que é mais grave), manter a produção e riqueza que encontrou quando assumiu as rédeas do poder.

É preciso mudar. E a mudança será totalmente inédita e feita sobre premissas desconhecidas. Mas a direcção para onde teremos que ir é clara. Daí que não há que hesitar à espera de estudos e avaliações. E de temores da recessão.

São medidas recessivas? Pois são. Disso não escapamos. Afinal a economia e finanças de um país, nestas circunstâncias (não há espaço para engenharias financeiras – que são artimanhas que se pagam – sempre – mais tarde) são como a economia e as finanças de uma família: só podemos gastar aquilo que ganhamos a partir do que produzimos

Assim, nestes países, a realidade (e o nível de vida possível) está um pouco mais abaixo daquilo a que nos habituamos nos últimos anos… E, se a essa queda se juntar a outra (para pagar o que pedimos emprestado nesses anos de ilusão de vacas gordas) entenderemos bem que são necessárias medidas, que é necessária mudança e que teremos que mudar - mesmo - de vida. E que a recessão é apenas o ajuste a essa nova realidade.

Mais uma vez: crescimento? Esqueçam… 
Quando veremos um economista (com capacidade de decisão) a realizar esta evidência?
E a agir em conformidade...

agosto 10, 2011

Crescimento: o sebastianismo dos países desenvolvidos

Tempos Adversos, de Vital Moreira

No Público de ontem, 9 de Agosto, Vital Moreira avança para um texto que, certamente, lhe foi difícil escrever. Nele, reconhece o falhanço generalizado da esquerda europeia e avança para algumas propostas sobre as razões de tal situação.

Como seria de esperar, não reconhece que terá sido o socialismo a falhar e, com ele a versão soft em que consiste a social-democracia.

Desenvolve o artigo sobre a queda da social-democracia, “incluindo os socialistas e trabalhistas”.

Mas, para o assunto, tanto faz. Vamos considerar que se estará a referir aos partidos da “secção europeia” da Internacional Socialista.

Passa perto mas evita - e bem - a explicação simplista em que colocaria a crise de 2008, com origem nos EUA como a razão de fundo da hecatombe socialista. Mas não sem questionar: não seria um prémio (aos liberais) infractores? Quando se esperaria que fossem os partidos socialistas chamados a regular (mais) os mercados financeiros, são os liberais que ganham eleições e se chegam à frente para resolver a questão?

E fixa-se, depois, nas suas razões: o baixo crescimento económico e problema da dívida gerada pela referida crise de 2008.

E explica que os socialistas falharam porque, face a esses dois factores, não puderam – de forma sustentada – distribuir riqueza e fazer crescer (ou no mínimo, manter) o Estado Social. E, fazer o contrário – o que se revelou necessário - está longe dos seus genes…

Nada mais errado e nada mais certo.

Nada mais errado ao se limitar aquelas duas razões de fundo. É que essas, também, são meras consequências. Da alteração dos tempos (a mudança da realidade económica nos países desenvolvidos já vem de há 20 anos) e das praticas e políticas – erradas – que foram prosseguidas pelos governos (maioritariamente socialistas) ao longo desses anos e que conduziram, justamente ao problema do défice e da dívida.

Nada mais certo, no que se refere à incapacidade socialista de governar … no sentido contrário ao que determina a sua ideologia. Daí terem sido postos "a andar".

Agora, digo eu: desde há 20 anos que os países (democráticos) desenvolvidos gerem um novo enquadramento mundial, ou seja, a Globalização. Por via deste facto, passaram a aceder a bens transaccionáveis muito mais baratos. O que foi bom, no principio. Depois, desencadeou-se o efeito consequente, em que foram perdendo gradualmente a sua produção para o exterior, reduzindo inexoravelmente a sua capacidade de produzir riqueza. Desde aí, estes países crescem (quando crescem) a 1, 2, 3 ou 4% do PIB ao ano, por conta de recursos obtidos nos mercados financeiros internacionais (cobrindo défices e criando dívidas crescentes) que atingem valores anuais (7,8,9 ou 10% do PIB), bem acima do crescimento resultante . 

Ou seja, apresentam “crescimentos virtuais” que acabaram por constituir “balões de oxigénio” dos governos socialistas (e outros, da área) que, passo a passo, foram mantendo as suas políticas suportadas por esses empréstimos cada vez maiores até que a dívida se revelou insuportável.

A verdade é que, desde há muitos anos que os países desenvolvidos não crescem. 
Esta é a realidade nua e crua. 
E até aqueles (países) que se costumam colocar fora do processo (os ditos bem comportados) devem essa situação aos gastos dos outros (os mal comportados). Ou seja, estão todos - sem excepção no "mesmo barco".

Como refere Vital Moreira, terminando o seu artigo, nada garante que, ultrapassada esta crise, se possa voltar a crescer economicamente, criando condições para o regresso do socialismo. Daí que, defende, o socialismo se deverá reinventar para que, durante muitos anos, possa continuar a exercer, nestes países, o seu papel de resistência (na oposição, concluímos) a favor do que, refere, é uma “sociedade mais justa”…

Claro que, e dizemos nós, haverá sempre países socialistas. Onde a riqueza cresce mesmo (países em desenvolvimento, para os quais esta crise não é com eles) ou "cai do céu" (países com riquezas naturais). Aí, onde é só distribuir, os socialistas lá estarão. Desde que não seja necessário criar, construir e produzir, tudo bem. Até que as suas políticas repitam, também aí, os seus efeitos usuais...

agosto 05, 2011

Não há crise de dívida soberana

A crise não é da dívida.
A crise é dos défices. De todos: comerciais, públicos, empresariais e pessoais.

E aqui se encerram todos os erros que têm sido cometidos nos últimos tempos.

Nos EUA e na Europa.

Toda a discussão se vai fazendo ao nível dos tectos de endividamento (EUA) e na ajuda comunitária que é (Grécia, Irlanda, Portugal) ou pode ser (Itália, Espanha, Bélgica) necessária para que se possa pagar a dívida e, ao mesmo tempo, ganhar com isso, a possibilidade de assumir outra ainda maior, por via dos défices estruturais (que são o verdadeiro problema).

A dívida soberana deixaria de ser um problema se os défices fossem resolvidos (se fossem reduzidos a zero).

Com défices contínuos, o caminho é em direcção ao abismo. Porque a dívida cresce sempre até que … quem empresta deixará de o fazer.

Aí, tudo se desmorona. Porque não há mais dinheiro para pagar as dívidas anteriores, nem para acomodar o défice (ou o parasitismo, como referiu Putin).

Nos EUA, o tecto da dívida foi aumentado em 2,1 milhões de milhões de dólares.
Ninguém pensou que poderá não haver quem esteja disposto a emprestar esse valor?
Ou que isso poderá “secar” a liquidez no mercado financeiro? Fazendo subir o preço do dinheiro?

E que isso fará disparar ainda mais o problema no mundo desenvolvido?

E que as soluções pedidas pela Europa pobre à Europa rica são soluções do mesmo tipo? Mais dinheiro para acomodar défices e o pagamento de dívidas antigas, para assegurar novas dívidas, sempre crescentes?

E que poderá não haver dinheiro para tudo isso?
Ou seja, poderá haver défices a mais (nos países desenvolvidos) e excedentes a menos (nos países emergentes)?
Porque não há mesmo (o Planeta não é infinito em recursos).
Ou porque, ganho o trabalho e o poder financeiro mundial, os Países em crescimento (desenvolvimento) passarão a desviar os recursos que libertam, para a subida da qualidade de vida das suas populações, em vez de suportar os níveis de vida (parasitários) das populações dos países desenvolvidos, muitos degraus acima dos níveis a que acedem as suas?

Chegou a vez dos outros. E é só isso que os Países desenvolvidos têm de entender. Vão ficar mais pobres. Mas todos. Não se pensam que se safam alguns (alemães ou os suíços)...
E entender isso significará acomodar (o mais possível) uma queda que se tornará regular mas (esse é o desafio) que terá de ser entendido, aceite e controlado, com o mínimo de choques sociais.

Vamos viver pior…
Uns sempre pior que outros, em função dos recursos disponíveis, capacidade de organização, trabalho e orientação política (liderança esclarecida).

Uns chamam retrocesso civilizacional a este processo.
Certamente aqueles que, egoístamente só olham para o seu umbigo.
Porque se olharem para a China, Índia ou para o Brasil, verificarão que apenas se faz um ajuste global nas injustiças mundiais.
O que não gostam eles é que o processo - que era o objectivo internacionalista do socialismo - se faz pela via do … capitalismo.

E já tudo começou. E, não tenhamos dúvidas: não há alternativa, nem possibilidades de recuo.

Falar em perspectivas de crescimento é o engano a que temos estado sujeitos.

agosto 02, 2011

EUA adia o inadiável

Foi atingido uma acordo.

Que vai permitir aos EUA um aumento do tecto de endividamento. Para 17 milhões de milhões de dólares. Uma imensidade. Logo, os mercados reagiram positivamente e baixaram os custos do prémio de seguro de incumprimento da dívida americana.

Veja-se a incongruência: os EUA asseguraram o pagamento das suas dívidas porque - e apenas porque - aumentaram o limite para pedirem emprestado...

Apesar de ridicularizado pela imprensa mundial, parece que é apenas o Tea Party que vai mostrando algum realismo: é necessário "descer à terra". A situação é insustentável e o que se passa nos EUA é o mesmo que se passou (e se passa) em Portugal. Com uma colossal diferença: o "mesmo problema" dos EUA é cem vezes maior...

Se nós temos dimensão para sermos salvos, nada pode salvar os EUA...

Quanto aos custos de financiamento das dívidas soberanas na Europa, depois de uma pequena queda, voltaram logo a aumentar. O que foi uma reacção óbvia a uma nova situação: de um momento para outro, foi criada uma nova procura por 2,1 milhões de milhões de dólares. O dinheiro não estica e se vai para lá, não vem para cá. Ou, se vem, vem bem mais caro...

Mas nada disto é certo...

Haverá quem esteja disposto a colocar ali - nos EUA - mais 2,1 milhões de milhões das suas reservas ou poupanças? 
Mesmo com ratings (com que critério terão sido calculados) a triple A?

E se, por acaso, quem se espera que coloque essa brutalidade de dinheiro (China, Japão, Brasil, Índia), em vez de o fazer, começar a retirar o que já lá tinha metido, salvaguardando-se do inevitável?

Mais cedo ou mais tarde esse inevitável terá de ser enfrentado...


Putin já vai dizendo que os EUA são parasitas da economia mundial...